Stephen Malkmus & the Jicks – Wig Out at Jagbags

14.01.2014 — Música, Resenhas

Stephen Malkmus & the Jicks

Wig Out at Jagbags

(Matador; 2014)


Quem já viu um show do Stephen Malkmus e um da reunião do Pavement, sabe onde o coração de Malkmus está. Wig Out at Jagbags, o novo disco e sexto da carreira solo de Malkmus, vem aí para mais meia hora de pura desenvoltura que comprovam e atestam a alegria do cantor quando o mesmo está acompanhado pelos Jicks.

“Planetary Motion” lembra os belos momentos de Face the Truth por focar totalmente em Malkmus, na sua guitarra e nos overdubs da voz do cantor. Um começo certeiro que segue com a correta “The Janitor Revealed”. Correta, pois apesar de flertar com um certo clima prog, não foge dos riffs e da melodia vocal. “Lariat” e “Houston Hades”, na sequência, porém, retomam um Malkmus muito pouco explorado nos últimos lançamentos, aquele do primeiro lançamento solo, aquele que ninguém ligava e pouco liga até hoje. Mas as melodias de ambas são tão potentes e fáceis e vem acompanhadas de um Jicks muito mais presente que as escolhas feitas em 2001 parecem fazer muito mais sentido para todo o resto da humanidade que não atende pelo nome de Stephen Malkmus.

E se Wig Out fosse inteiro uma passagem pelo primeiro disco solo de Malkmus com toda a bagagem dos Jicks imposta em cada faixa, o disco já valeria a pena. Mas Stephen inclui na metade do álbum um trio de sopro formado por senhores alemães que dá a “J Smoov” um ar introspectivo e a “Chartjunk” uma energia independente dos riffs da guitarra de Malkmus, apesar de ela aparecer ali no meio da faixa.

Por pouco mais de meia hora sabemos que Malkmus está fazendo exatamente aquilo que gostaria e quando ele brinca com a sua “velhice” (“This one is for you, grandad!”), com a sua “época” (“We grew up listening to the music from the best decade ever”) e continua a brincar com todas as palavras e rimas, sabemos que ele não poderia estar com o seu coração em nenhum outro lugar. São poucos que conseguem pelo menos o respeito de fazerem o que quiserem e serem o que são e não importa se a pessoa liga ou não com o que os outros vão dizer. Malkmus tem o respeito e Wig Out at Jagbags brilha fácil por isso também. As críticas mais contundentes continuam sendo apenas áspas que nunca pareceram mexer um fio de cabelo da cabeça teimosa de Malkmus nesses mais de vinte anos.

“Lariat”

Nota
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7.9