Sharon Jones & The Dap-Kings – Give the People What They Want

22.01.2014 — Música, Resenhas

Sharon Jones & The Dap-Kings

Give the People What They Want

(Daptone Records; 2014)


O novo disco da Sharon Jones & The Dap Kings, parado desde o meio do ano passado por conta do câncer nas vias bilares da cantora, finalmente viu a luz do dia neste começo de 2014. Com ele e com o drama que é ver uma pessoa, próxima ou não, enfrentar a doença, seria muito fácil começarmos a fazer associações simplistas, ver mensagens nas letras das músicas e etc. A própria Sharon Jones fala sobre isso nessa entrevista e apenas ela poderia fazer esse tipo de associação, mas a verdade é que eu não consigo associar de modo algum o álbum ao processo ou ao descobrimento do câncer na vida de Sharon, pois Give the People What They Want é um disco de soul leve.

Uma surpresa, pois apesar de ter lançado ótimos discos desde o começo de sua carreira, sentia que Sharon Jones parecia depender muito de sua credibilidade como diva do soul moderno. Apesar de “Retreat!” começar com grande influência de Aretha Franklin, Give the Poeple explora outras áreas do soul com a ajuda dos sempre precisos Dap-Kings, mas, principalmente, com o destaque dos backing vocals de Saundra Williams e Starr Duncan, as Dapettes.

“Stranger to My Happiness” brilha com a aparição pontual das Dapettes ao longo de toda a faixa. “We Get Along”, de guitarras leves e pequenas pausas, remete aos Manhattans de “Foloow Your Heart”, enquanto “Get Up and Get Out” traz toda a simplicidade das Marvelettes e das Supremes à mente. “Now I See” ainda se encaixaria muito bem no último disco de Janelle Monáe e “People Don’t Get What They Deserve” se destaca quase no fim como uma das faixas mais dançantes e pop da carreira de Sharon.

Não sei em quem Sharon Jones estava pensando enquanto fazia Give the People What They Want, mas o disco é exatamente o que eu queria de alguém com a qualidade e potência de Sharon Jones e de todo o Dap-Kings. Um soul potente nos momentos certos, mas, principalmente, extremamente leve, dançante e bonito. Talvez o meu preferido dentre os cinco da cantora.

“Stranger to My Happiness”

Nota
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8.6