Beck – Morning Phase

12.03.2014 — Música, Resenhas

Beck

Morning Phase

(Capitol; 2014)


Como já disse antes, é inegável o bom gosto de Beck, seja como músico, compositor ou produtor. O seu trabalho sempre traz elementos musicais muito bem encaixados, arranjos e barulhos na hora certa e beleza na medida. Mas Beck poucas vezes conseguiu me convencer em suas músicas que aquilo que estava tocando e cantando era o negócio de sua vida, era a sua arte escancarada, e Morning Phase é a prova final para mim. O fato de estarem tentando associar o disco a uma sequência de Sea Change (2002) revela não só a preguiça de muitos por aí, mas também a condescendência que existe com Beck e seus lançamentos. Então antes mesmo de falarmos de Morning Phase, ainda acho que vale uma desmestificação em torno de Sea Change, que contém algumas das canções mais bonitas e poderosas da carreira do cantor e nada mais. Nada mais para mim, pois choro em metade do disco e não sinto absolutamente nada na outra metade. Não me incomoda nem um pouco o fato de muitos amarem o álbum, me incomoda o fato de acharem que fazer uma simples relação Morning Phase/Sea Change seja o suficiente para explicar como o novo lançamento é bom.

Porque ele não é. Morning Phase é preguiçoso. Uma caricatura melancólica de um Beck que um dia realmente demonstrou algum sentimento. Ao longo das treze faixas do álbum não existe um refrão marcante e as melodias são bastante simplórias. A grande vitória de Beck em Morning Phase é apostar no seu ilusionismo, na criação de uma névoa que cobre a sua face e se mistura com os seus louros cabelos para criar um clima misterioso inserindo um banjo ali, um violino acolá, sussurros insossos para todos os lados e encobrindo a pobreza musical.

“Country Down” era o tipo de coisa que eu esperava de algum tipo de sequência de Sea Change, mas que só chega na décima segunda canção quando já fui vencido pelo tédio.

Nota
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4.0
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