Melancoluna II: Banjo Feliz, Banjo Triste

17.03.2014 — Blog

Henry Glassie Ola Belle Reed collectionWillie Nelson um dia fez uma canção apenas para dizer que você simplesmente não pode cantar uma música triste no banjo. Verdade, mas mentira. Verdade, pois a Melancoluna número dois começa num clima bom e para cima com o banjo incessante de Ola Belle Reed, apesar da lamentação folk desse clássico (“I’ve worked for the rich I’ve lived with the poor / I’ve see many a heartache, there’ll be many a more / Lived, loved and sorrowed been to success’s door / I’ve endured, I’ve endured. How long can one endure?“) e continua otimista com “You Ain’t Going Nowhere” na voz de Bob Dylan e com o banjo apenas ao fundo vibrando a cada “Woo hee” do refrão. Uma canção que me causou certa estranheza na primeira vez que a escutei, pois a conhecia na impecável versão country que os Byrds fizeram e escutá-la assim, sem produção nenhuma e com um Dylan prestes a quebrar, provocou um vazio gigantesco na canção que eu tinha em mente e na alma. Sam Amidon, no fim, consegue em “O Death” provar que se faz música triste ao banjo. Ele desacelera o ritmo, arrasta sua voz e canta e suplica para a Morte e por isso cabe a ele finalizar a Melancoluna dessa semana. Sam seria capaz de fazer música triste e bonita até com um pandeiro e uma escola de samba inteira o acompanhando.

Melancoluna II: Banjo Feliz, Banjo Triste by Suppaduppa on Grooveshark

Ola Belle Reed – “I’ve Endured”
Bob Dylan – “You Ain’t Goin’ Nowhere
Sam Amidon – “O Death”