Show: Mac DeMarco — SESC Belenzinho, São Paulo — 20/03/2014

24.03.2014 — Matérias, Música

mac-demarcoSó de ver os vídeos das apresentações ao vivo do canadense Mac DeMarco era possível dizer antes mesmo do show que ele fazia qualquer noite ser bem divertida e o público de São Paulo, pro bem ou pro mal, foi para o SESC Belenzinho pronto para isso. E Mac, como era de se esperar, não decepcionou.

Mas o melhor é que toda a diversão da noite de 20 de março (e 19, segundo relatos) no SESC Belenzinho, em São Paulo, não foi proporcionada apenas pela personalidade expansiva, extremamente simpática e engraçada de Mac. Ao vivo, a sua música ganha uma vida que os discos não conseguem reproduzir em sua totalidade. E grande parte da música funcionar tão bem ao vivo se dá pelas presenças do baixista Pierce McGarry (membro do Walter TV e responsável pelos vídeos de Mac) e do guitarrista Peter Sagar, que também tem um projeto solo, chamado Homeshake.

Pierce, ao mesmo tempo em que alterna com Mac no posto de entertainer entre as canções, também entrega linhas de baixo mais complexas que contrapõem de forma espetacular a guitarra simplória de Mac, como em “Cooking Up Something Good”, “Salad Days” e na mais soul “Brother”. Destaque que o instrumento não tem nos discos. E Peter, calado ao lado de Mac, por sua vez entrega todos os solos das gravações de forma limpa e precisa, elevando ainda mais a importância dos riffs, principalmente, em “Ode to Viceroy”, “The Stars Keep on Calling My Name” e nas novas “Blue Boy” e “Brother”.

Ou seja, o show de Mac DeMarco não é um show solo, mas o seu grupo facilita bastante o caminho para Mac brilhar mais e brilhar sozinho às vezes. E o moleque brilha mesmo, sem pudores e sem medo nenhum. Mac interage, fala o que vem à cabeça, dança, fuma, bebe, faz mosh e, o principal, ele canta. Em sua essência, Mac lembra bastante um Jonathan Richman ou um Stephen Malkmus pelo modo como os mesmos conduzem os seus shows e lidam com a sua música, mas quando canta por vezes Mac parece ser um Jens Lekman das Américas (“She’s Really All I Need” e “Cooking Up Something Good”) ou um cantor country “yodeling” (“Still Together”) ou até um Morrissey desafetado (“My Kind of Woman”).

Foi um ótimo show de música que se transformou em uma bela e divertida noite para todos os presentes no SESC Belenzinho. Diversão que veio fácil porque Mac se diverte em dobro em cima do palco. Uma justificativa que nem sempre funciona, mas que Mac faz parecer totalmente plausível, pois claramente ele nasceu para a diversão e com um talento indiscutível para a música.

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