Show: Omar Souleyman — Beco 203, São Paulo — 23/03/2014

24.03.2014 — Matérias, Música

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Finalmente o frio resolveu aparecer em São Paulo após tristes meses infernais. Mas, pelo menos dentro do Beco 203 na noite deste domingo (23), o clima ainda lembrava janeiro, uma vez que tímpanos derreteram e a pista ferveu graças ao show do sírio Omar Souleyman.

Com seu traje tradicional e acompanhado apenas de um tecladista – que também solta os beats das canções e toca percussão digital –, Omar se apresentou por menos de uma hora para uma casa relativamente cheia. Mesmo curto, o show foi suficiente para satisfazer os presentes, pode apostar, especialmente por estar em um volume extremamente alto.

A não ser pela comunidade síria presente, o restante de nós não faz a menor ideia do significado das letras de Omar. E tudo bem. O que vale ali é a diversão entregue por seu espetáculo e o frenesi de sua sonoridade, uma mistura de world music com a música tradicional do Oriente Médio e explosivos beats eletrônicos de “baixa” qualidade. Mágico.

Na plateia, as pessoas dançavam loucamente e/ou sensualmente, não se importando com o fato de a triste segunda-feira se avizinhar. No palco, Omar se fazia notar basicamente por conta de sua presença física, já que nada mais acontece ali além de ele cantar e andar de um lado para o outro. Seus movimentos são suaves e sutis, alternando entre palmas e um leve chacoalhar dos braços. De vez em quando, ele pede mais empolgação por parte do público – algo nitidamente desnecessário, pelo menos na apresentação deste domingo.

Muito embora Omar seja obviamente o centro das atenções, seu tecladista merece muito, mas muito destaque (e respeito!). Sujeito comum que parece não se divertir durante a apresentação, o músico ficou a todo momento reclamando do som e da falta de voz em seu retorno e, enquanto isso, dedilhando as teclas sem qualquer esforço aparente e com uma velocidade impressionante e ridícula, algo completamente hipnótico.

Ainda que Wenu Wenu, disco que saiu em 2013, tenha um incômodo toque ocidental em sua sonoridade, ao vivo a coisa é outra. O som de Omar nos palcos ainda é bastante cru, direto e totalmente voltado para suas raízes, como nos lançamentos mais antigos colocados na praça pela Sublime Frequencies, é por isso que sua apresentação merece a atenção, seja a dos seus ouvidos e olhos ou simplesmente a de seu corpo remexendo.