10 músicas do Walkmen para uma retrospectiva dos 10 anos de carreira do grupo que aparentemente chegou ao fim

25.03.2014 — Matérias, Música

the-walkmen-retroNo fim do ano passado o Walkmen anunciou que entraria em um “extremo” período de hiato. Não demorou e no começo deste ano o vocalista Hamilton Leithauser, o baixista Peter Bauer e o tecladista/organista Walter Martin já anunciaram os seus lançamentos solos: Mas eu sinceramente não quero saber quais serão os novos rumos de todos os cinco membros do Walkmen nesse momento. Eu quero sentir a tensão e a angústia que marcaram, principalmente, o início da carreira do grupo, quero sentir a beleza mais soberba de You & Me e até finalizar com os dois lançamentos mais pop do grupo, Lisbon e Heaven. Quero ouvir e comprovar que nos dez anos de existência o Walkmen foi um dos grupos mais importantes da cena de Nova York (eles são de Washington). Uma das bandas que mais mexeu com os meus instintos e estômago no começo do século e que deixa um belo repertório para trás. Preste atenção comigo nessas dez canções.

1. “Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone” – Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone (2002)


No começo da carreira, Hamilton fazia questão de cantar e balbuciar letras indecifráveis e isso caía perfeitamente bem no clima tenso de Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone, de 2002. As quatro primeiras faixas do disco compõem um dos inícios de álbum mais marcantes do rock do começo do século. “They’re Winning”, “Wake Up”, “Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone” e “Revenge Wears no Wristwatch” são obrigatórias para qualquer um que pretende entender o Walkmen, mas como a carreira é razoavelmente comprida e o espaço é curto, escolho a faixa-título para mostrar como Hamilton construía a angústia do seu grupo acompanhado por um habilidosíssimo baterista, Matt Barrick, que brilhará ainda na sequência.

2. “Rue the Day” – Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone (2002)


Lá no fim do álbum, após toda a tensão inicial e canções mais pop, como “We’ve Been Had” e “Punch Line”, o Walkmen começa tranquilamente com o órgão que marcou sua presença ao longo de todo o álbum em uma canção que cresce lindamente para alguns dos versos mais marcantes de Hamilton. A bateria é grosseira, o órgão vem e vai junto com o restante do grupo, enquanto Hamilton canta livremente sobre um encontro amoroso até o desfecho apoteótico: “Oh there’s a memory calling / Calling way too loud and way too strong / Twisting all the bad things into good / I’m a lucky guy now, but I’ll never know until it’s gone

3. “The Rat” – Bows + Arrows (2004)


Todos conhecem “The Rat” e a sua raiva explosiva. Obviamente, Hamilton brilha no vocal ao gritar com uma sinceridade doída até explodir o seu cérebro, mas essa faixa simplesmente não teria um décimo de seu apelo se Matt não fosse o monstro que foi ao gravar a sua parte na bateria. Uma canção que dispensa qualquer descrição ou comentário a mais.

4. “The North Pole” – Bows + Arrows (2004)

“Maybe, it’s not good and it’s not bad
And maybe that’s a problem that we have
Cause everybody knows”

Uma canção aberta e bonita, que alterna entre a guitarra de Paul Maroon e o órgão de Walter Martin como acompanhante da bateria forte de Matt. Assim como “Rue the Day” para Everyone, “The North Pole” talvez seja uma escolha estranha de Bows + Arrows, um disco repleto de músicas marcantes, mas esses primeiros versos sempre me quebram. É um início que chama a atenção logo no começo e o Walkmen não deixa a sua atenção desviar por um segundo sequer com boas viradas, bela melodia e alternando arranjos.

5. “Always After You (‘Til You Started After Me)” – A Hundred Miles Off (2006)


A Hundred Miles Off é o lançamento que menos gosto do Walkmen, mas ainda assim o álbum traz um punhado de canções que ficam entre a perfeição de Bows e a fase mais pop do grupo. E “Always After You (‘Til You Started After Me)”, por pender mais para a fase anterior, entra na lista para fechar a metade do post e da mixtape com a bateria nervosa e primária de Matt como fundo para o canto exaltado de Hamilton.

“I was always after you until you started after me
Always after you until you started after me
And on and on, I see someone has got it in for me
On and on, I see someone that’s got it in for me”

6. “Many Rivers to Cross” – Pussy Cats (2006)


No mesmo ano do lançamento de A Hundred Miles Off, o Walkmen regravou Pussy Cats, de Harry Nilsson, como uma forma de celebrar o fim do estúdio onde o grupo costumava gravar suas músicas. Um projeto ousado de um original já ousado e por mais que o resultado não seja inteiro maravilhoso existem momentos sublimes no álbum como a faixa de abertura, “Many Rivers to Cross”. O Walkmen em clima country e com os ânimos acalmados, celebrando a nova fase do grupo. Um momento marcante e genuinamente belo, como pouco pudemos ver ao longo desses dez anos.

7. “In the New Year” – You & Me (2008)


You & Me é o disco que mostra como o grupo cresceu. Uma bela foto e poucas letras na capa, um vinil vermelho e músicas cadenciadas, menos gritaria e muita classe. “In the New Year” foi uma das primeiras faixas a vazar dessa nova fase e o resultado é uma canção com um baixo mais presente e todos os instrumentos muito bem dosados, inclusive o vocal de Hamilton. Uma beleza autoral, que veio com todos os elementos do Walkmen e não em versões que priorizavam as originais, como fora em “Many Rivers to Cross” ou em “Another One Goes By”, do Mazarin. Uma beleza que ainda se multiplica a cada faixa de You & Me.

8. “I Lost You” – You & Me (2008)

“Drive on
Drive on
The engine hums along
We kiss goodbye and drank up
Some mouths before our tongues
We kiss goodbye and drank up
I’ll miss you when you’re gone”

Hamilton parece bem dirigindo meio bêbado por estradas desconhecidas, mas o desespero começa a subir pelas pernas aos poucos em “I Lost You”, uma das músicas mais desesperadoras e tristes de toda a carreira do grupo. A faixa escancara um Hamilton em frangalhos por perder a sua garota e o grupo o acompanha a cada mudança de clima até o choro final.

“So throw me a line
So throw me a line
My heart’s underneath
Aside on your feet
The windows are shaking and so are my bones
The world’s going round
Throw me a rope

I waited a long time
All for you
I waited a long time
I lost you!”

9. “While I Shovel the Snow” – Lisbon (2010)


As guitarras altas no começo desse post e mixtape simplesmente evaporam em “While I Shovel the Snow”, faixa tranquila e triste que parece acompanhar a passagem de uma nevasca pela janela. Uma nevasca pesada e vagarosa, que se estende nas notas espaçadas. Uma canção simplesmente maravilhosa e sem paralelo para o grupo nesses 10 anos, um quase milagre ao fim de um Lisbon, um lançamento cheio de altos e baixos.

“Half of my life I’ve been watching
Half of my life I’ve been waking up
Birds in the sky could warn me
There’s no life like the slow life”

10. “Heaven” – Heaven (2012)


O álbum Heaven dá muitas possibilidades para finalizarmos essa retrospectiva, pois o disco é repleto de faixas pop que entram facilmente pelo ouvido. “We Can’t Be Beat”, “Heartbreaker”, “Nightingales”, “The Love You Love” e outras, mas a faixa-título é emblemática pelo refrão (“Remember, remember / All we fight for”) e pelo clipe lançado alguns meses depois, como o anúncio do fim que estava por vir.

Não acho que nesses dez anos o Walkmen tenha lutado por muita coisa na música para falar a verdade, mas eles lutaram pelo seu estilo. Existe um jeito de como Paul Maroon perpetua uma única nota em sua guitarra estourada, existe um jeito de como Walter faz o órgão crescer pontualmente nas faixas e de como o dedilhado de uma guitarra aparece e some uma garoa divina, existe um jeito de como Matt bate secamente na sua bateria e delimita as viradas da tensão e existe um jeito de como Hamilton grita as suas angústias como um Bob Dylan à beira do precipício. Essa luta foi vencida, Walkmen, e vocês já podem lançar os seus discos solos repletos de participações especiais e músicas de ninar porque a marca está deixada. Hora de fechar o livro. Obrigado, Walkmen.

The Walkmen by Suppaduppa on Grooveshark

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