Coluna Azul: Lou Rawls – Soulin’

04.04.2014 — Blog

lou-rawls-soulin-2Eu sinto falta de olhar para a capa de um disco e pensar: queria ser esse cara. Na verdade eu acho que quase nunca passei por isso, mas quando encaro a capa de Soulin’, acima, só um pensamento vem à mente: eu queria ser Lou Rawls.

Não o Lou jazzista de Stormy Monday (1962), álbum de estreia do cantor lançado pela Blue Note, onde ele brilhava com o seu vocal potente acompanhado pelo piano de Les McCann. Pois apesar de Lou estar sempre imprimindo o seu passado gospel/soul em todas as suas canções, Stormy Monday é um disco mais frio e cool, enquanto Soulin’, lançado em 1966, é bem mais, obviamente, soul e com ótimas pitadas de jazz à Frank Sinatra. O início com “A Whole Lotta Love” e o hit “Love Is a Hurtin’ Thing” vêm com um vocal rasgado o suficiente para nos afundarmos no sofrimento amoroso de Lou e talvez por isso “So Hard to Laugh, So Easy to Cry” e “You’re the One” aparecem logo na sequência com um Lou encarnando Sinatra novamente. Um resumo do que nos aguarda no restante do álbum, pois Soulin’ é uma constante alternância desses dois Lous. Em “Don’t Explain”, de Billie Holiday, ele se mostra mais cool e no controle, e “On a Clear Day” só poderia ser descrita com uma valsinha pelas ruas congeladas de Nova York, enquanto em “What Now My Love”, apesar do clima big band, e em “Breaking My Back”, a última, ele volta a trazer o coração mais pra boca e a vontade de ser esse baixinho olhando para trás com um fundo rosa avermelhado só fica mais forte ao fim do álbum.

Lou Rawls – Soulin' by Suppaduppa on Grooveshark