Real Estate – Atlas

09.04.2014 — Música, Resenhas

Real Estate

Atlas

(Domino Records; 2014)


O Real Estate é o grupo que melhor encarna o sonho suburbano norte-americano. Não o subúrbio que muitas vezes vemos nos noticiários, o pequeno, violento e ignorante, mas o suburbano dos sonhos que vimos nos filmes que passavam na televisão na nossa (?) adolescência, o subúrbio branco, de longos passeios de bicicleta e despreocupado.

Em Atlas, terceiro disco do grupo de Nova Jersey, o grupo continua a sua exploração dos duelos de guitarras sonhadoras enquanto Martin Courtney IV continua a cantar e a balbuciar as suas preocupações em tom despreocupado. “Had to Hear” inicia como Days (2011) acaba anos atrás, com guitarras abertas e ótimo refrão, mas, “Past Lives” na sequência quebra um pouco o clima para cima com uma melodia vocal mais arrastada. Um ótimo início que logo culminará em “Talking Backwards”, certamente um dos hits do grupo e do ano, onde Martin canta sobre o sentimento de incapacidade de fazer algo de útil, que aterroriza tantos suburbanos e sonhadores do subúrbio: “And I might as well be talking backwards / Am I making any sense to you? / And the only thing that really matters / Is the one thing I can’t seem to do”. “April’s Song” é uma bela e instrumental homenagem ao início da primavera no hemisfério norte. “The Bend” vem atormentada no refrão (“Cause it’s hard to feel they control you / Like I’m behind the wheel, but it won’t steer”) enquanto “How Might I Live”, quase no fim, quebra o ritmo novamente com o tom mais soberbo e triste de Alex Bleeker, como se Dean Wareham e seu Galaxie 500 saíssem para um raro passeio de dia acompanhado pelo Real Estate no volante.

Em dez novas canções, o Real Estate me ganha novamente com o seu sonho suburbano musical. Atlas pode não crescer como Days ou manter a despreocupação interessante o tempo inteiro como no auto-intitulado álbum de estreia, de 2009, mas enquanto ando pelas calçadas de Atlas é só lá que minha mente quer estar. Trinta e oito minutos de tranquilidade, de cores em tom bege, de inofensiva e linda despreocupação e melancolia.

Nota
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8.0
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