Entrevista: Alex Edkins (METZ)

A Sub Pop deixou o berço Seattle para uma exploração menos regionalista e foi encontrar, na vizinha Canadá, a ressignificação do combo simplicidade e barulho. Deparou-se com o o trio METZ, que preenche os espaços de sua formação econômica – guitarra, baixo e bateria – com volume, ruído e aspereza. A banda vem ao Brasil no dia 15 de maio mostrar seu elogiado disco de estreia, METZ (2012) e sujeitar à nossa comprovação a fama que carrega de fazer shows absurdamente altos e vigorosos, adquiridos de seu DNA punk e hardcore. O Suppaduppa conversou com o vocalista e guitarrista Alex Edkins para conferir a expectativa dele, de Chris Slorach (baixo) e de Hayden Menzies (bateria) de vir para o Brasil e, de quebra, descobriu que eles alugam um quartinho insalubre com os também canadenses Fucked Up para fazer barulho sem incomodar Toronto.

METZ 3 (2012)

Quando o METZ começou? Onde vocês costumavam tocar antes de assinarem com a Sub Pop e como se faziam ser ouvidos?

A banda começou em Ottawa, por volta de 2007. Hayden (baterista) e eu estávamos bastante envolvidos na cena punk/hardcore de lá, tocando e indo para vários shows. Éramos fãs da banda que cada um tinha e decidimos montar o METZ. Nosso primeiro show ocorreu em um porão, e continuamos a tocar em porões e clubes pequenos mesmo depois de nos mudarmos para Toronto. O boca a boca foi ficando maior a cada show.

A música de vocês é extremamente alta em um momento em que muitas bandas nascem em apartamentos e, portanto, têm muitas restrições ou nenhuma garagem para fazer barulho. Ensaiar chegou a ser uma dificuldade para vocês, considerando o som alto que fazem? Ou vocês conseguiram achar bons lugares para fazer barulho em Toronto?

Na verdade, não. Dividimos com o Fucked Up o aluguel de um quartinho nojento. É um lugar horroroso pra se visitar todos os dias, mas acho que ele ajuda a manter nossa raiva e, assim, descontamos tudo nos instrumentos. Tem carpete nas paredes e nenhuma janela. Na verdade, parece um hospício.

A cena canadense sempre foi chegada em um barulho, certo? Temos vocês, Soupcans, Solids, Japandroids, e bandas mais velhas, como Fucked Up e Submission Hold. Quais bandas você nos recomenda?

Tem tantas bandas ótimas no Canadá nesse momento. Tem uma chamada S.H.I.T., de Toronto, que é incrível! Teenanger, Fresh Snow, Career Suicide, Viet Cong… a lista continua.

Jesus Lizard, Shellac e Nation of Ulysses são frequentemente citados como influências do som de vocês. Concorda com isso? Quais outras bandas inspiram a música de vocês?

Somos fãs dessas bandas. Pessoalmente, não escuto a influência delas em nossa música, a não ser a agressividade pura. Acho que nossas músicas são bem diferentes. Somos influenciados por todos os tipos de música. A lista é interminável, e acho que tudo acaba se misturado e se transformando no METZ.

Esse ano marca o 20º aniversário da morte do Kurt Cobain. Qual foi o papel do Nirvana na educação musical de vocês?

Nós três crescemos nos anos 90. Não gostava do Nirvana quando eram famosos. Eu curtia Minor Threat e Black Flag. Agora, quando escuto o Nirvana, consigo entender por que a banda foi tão influente. Realmente é algo incrível. Acho que, com a fama massiva, o som deles se transformou em um diagrama, ou um arquétipo para centenas de bandas. Tenho certeza de que o som do Nirvana se infiltrou em nossa música, mas não de uma forma consciente.

Quais discos ou bandas da coleção pessoal de vocês destoam do som que fazem?

Eu coleciono álbuns de garage anos 60, psicodelia e hardcore dos anos 80. Na verdade, é muito raro eu ouvir músicas que soem como o METZ. Isso seria muito chato.

Quais são as expectativas de vocês quanto a tocar no Brasil, um país com tradição em música agressiva, e também a terra natal do Sepultura?

Estamos incrivelmente animados para tocar aí. É uma honra, e vamos dar o melhor de nós no show.

Como vocês compõem as músicas? Alguém começa e os demais contribuem? Em quanto tempo vocês escrevem uma canção?

Varia bastante. Às vezes, começa com uma batida, ou um riff, e evolui a partir disso. Ultimamente, tenho composto bastante em casa e trazido essas ideias para os ensaios, para completer a música com o Hayden e o Chris. Praticamente metade das músicas do novo disco já está pronta.

Como Graham Walsh e Alexandre Bonenfant contribuíram com o disco? O que eles acrescentaram ao som de vocês e como lidaram com o fato de ser produzidos?

Consideramos nosso disco como uma produção própria. Além de fazer a mixagem. Graham e Alex foram inestimáveis nos aspectos técnicos da gravação. Amamos experimentar no estúdio, e esses caras recomendavam câmaras de eco, técnicas de microfonia e equipamentos bizarros que nem sequer imaginávamos existir. Eles foram incríveis!

Sub Pop Festival (Obits, METZ e Mudhoney)

Quando: 15/05, às 21h
Onde: Audio Club (Av. Francisco Matarazzo, 694, Barra Funda, São Paulo)
Quanto: R$ 80 a R$ 160
Ingressos: www.ticket360.com.br / Locomotiva Discos (Rua Barão de Itapetininga, 37, lojas 8 e 51 – República e Rua Teodoro Sampaio, 763, loja 3 – Pinheiros) / London Calling (Rua Vinte e Quatro de Maio, 116 – República)

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