Show: The Afghan Whigs — Audio Club, São Paulo — 22/05/2014

25.05.2014 — Matérias, Música

awA noite de quinta-feira, 22 de maio de 2014, tinha tudo para ser histórica para os fãs do Afghan Whigs, quando o grupo se apresentou pela primeira vez no Brasil. A antecipação e ansiedade eram bem grandes já que o grupo havia terminado em 2001 e só voltou a se reunir no começo de 2012. De lá para cá, foram vários shows em vários festivais pelo mundo, até que 2014 trouxe a notícia do novo álbum dos Whigs, Do to the Beast, e, na sequência, a tão esperada visita ao Brasil.

E quando Greg Dulli, John Curley e companhia subiram pontualmente às onze horas da noite no palco do Audio Club, começou a ficar claro que o show não seria uma viagem nostálgica por clássicos de mais de vinte anos atrás. O grupo abriu o show com as duas músicas que abrem o mais novo álbum, “Parked Outside” e “Matamoros”, e com elas ficou claro também que o show não seria de nuances, mas de potência, pois as três guitarras tomavam conta do som da casa em volume bem alto.

Por isso não houve espaço para clássicos como “What Jail Is Like”, “My Curse”, “Let Me Lie to You”, “1965” ou outros mais calmos. O show foi tomado por diversas canções novas, seis para ser mais preciso, ótimos covers entre as canções, como é de costume nos shows dos Whigs, e mais uma dose de pura energia com os hits mais incendiários cobrindo todos os discos do grupo.

A começar por três de Gentlemen: “Fountain and Fairfax”, “Debonair” e “When We Two Parted” com o cover de “Over My Dead Body”, de Drake, colada na última. “Turn on the Water” foi a única a aparecer de Congregation, canção que ganhou mais força ainda com “The End”, do Doors, proclamada no final. O clima era muito bom e todos os hits foram gritados a plenos pulmões pelos fãs.

Porém, da metade pro fim, o show cresceu de forma apoteótica quando o setlist abriu os braços para Black Love e 1965. “Going to Town” e “John the Baptist” inauguraram a nova metade levando o clima lá para cima mesmo sem ter a nuance do funk de ambas tão perceptível. A casa já era uma massa só quando Greg acalmou com uma versão vagarosa de “Modern Love”, de Bowie, antes de finalizar com “Somethin’ Hot” e “My Enemy”.

Finalizar a primeira parte, pois o bis trouxe uma grata surpresa, as três últimas faixas de Black Love tocadas na sequência, parando apenas para uma introdução de pura beleza no cover de “People Get Ready”, dos Impressions de Curtis Mayfield. E quem já ouviu a parte final desse álbum, sabe como o negócio fica grandioso, bonito e vibrante no mesmo nível. “Bulletproof” é linda com os teclados permeando a forte guitarra, “Summer’s Kiss” é uma explosão de energia que traz um Greg Dulli gritando com força um dos refrões mais bonitos do grupo e “Faded” finaliza com mais de oito minutos de pura beleza e com aquele riff grudento.

O show do Afghan Whigs em São Paulo foi para comprovar o que todos, pelo menos os que se encontravam no Audio Club, já sabiam: o Afghan Whigs é uma das maiores bandas dos anos 90. Uma das mais impactantes e modernas de todas essas que estão se reunindo novamente e por isso uma das poucas que parece ainda ter algo a dizer de verdade, algo a mostrar. Greg mostrou que o rock é um negócio sério para ele, mostrou que continua de ouvidos atentos ao que estão fazendo sem esquecer o passado glorioso do rock e soul que tanto ama e sem esquecer a sua própria glória. Uma mistura de sentimentos que empurra o Afghan Whigs para frente e que comprova que Greg Dulli jamais será um homem ultrapassado.

Alguns dos covers feitos pelo Afghan Whigs no show: