10 discos suecos da metade dos anos 2000 que te encherão de alegria

14.07.2014 — Matérias, Música

im-from-barcelonaA Suécia sempre tratou o seu pop com muita dignidade. Mas pretendo ser mais específico nesta matéria e tratar do indie pop/twee feito lá na metade dos anos 2000, pois foi quando muitos ouvidos começaram a se voltar para a música independente do país e o seu fascínio pelas melodias para cima, por letras ingênuas, mas extremamente espirituosa e pela simplicidade como um todo. Jens Lekman, citado mais de uma vez abaixo, sempre será o marco dessa época, mas a sua delicadeza e melancolia impregnada no seu croon não fazem parte da “Suécia feliz” dessa época. A seguir, listamos dez discos que registram como a Suécia entre 2004 e 2006 foi variada na sua alegria. A começar pela transição do alt rock (facilmente identificável no Komeda, Laakso, Kent, Eggstone e tantos outros) para o indie pop que o Wannadies proporcionou com o seu último lançamento, em 2002, passando pelos mais eletrônicos Embassy e Tough Alliance, por diversas bandas da Labrador e culminando no I’m From Barcelona, que extrapolou todos os adjetivos que comumente se utiliza para caracterizar o indie pop num disco inesquecível. Uma celebração em 10 discos e 20 músicas para não deixar dúvidas de quem são os verdadeiros reis do indie pop.

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The Wannadies

Before & After

(2002; Hidden Agenda Records)

Em 2002, o auge do Wannadies já havia passado, mas mesmo assim eles foram capazes de respirar pela última vez e mergulhar no mais belo oceano do pop sueco. Before & After é errante e pode não fazer jus a Be a Girl (1994), Bagsy Me (1996) e Yeah (1999), mas ao mesmo tempo mostra um pouco de onde veio parte do indie pop dessa matéria. A primeira metade desse disco, a bossinha sempre presente e as guitarras bem anos 90 conseguiram se mostrar ainda relevantes em 2002 até 2006, quando o pop sueco era só alegria, ou pelo menos nos discos que se seguem.

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Suburban Kids With Biblical Names

#3

(2005; Labrador)

O ano de 2005 é totalmente emblemático por ser o ano que o mundo começou a prestar um pouco mais de atenção em Jens Lekman e, consequentemente, no pop sueco como um todo e por isso sete dos dez discos da lista são desse fatídico ano. #3, do Suburban Kids With Biblical Names, é o primeiro a entrar aqui por trazer alguns hits perfeitos para se gritar a plenos pulmões com o peito cheio de alegria bêbada (como foi feito no show que o grupo fez em São Paulo) com frases marcantes, assim como é a própria “suburban kids with biblical names”, frase/nome tirado de “People”, do Silver Jews. Não tinha como sair errado.

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Acid House Kings

Sing Along With the Acid House Kings

(2005; Labrador)

Sing Along With House Kings veio mais de 13 anos após a estreia do Acid House Kings, mas, ao contrário do Wannadies, o auge do grupo foi efetivamente nesse álbum, em pleno ano de 2005, e não nos anos 90. O álbum não é totalmente feliz, como é o caso de #3, mas quando os vocais de Julia Lannerheim, Johan e Niklas Angergård começam a se intercalar em melodias para cima o negócio fica tão agradável na mente que a parte agridoce do cérebro parece dominar o restante como um pote de mel derramado na mesa rapidamente toma conta de toda a superfície, relevando completamente os resquícios melancólicos do álbum.

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My Darling YOU!

16 Major Problems

(2006; Plastilina Records)

Durante toda a sua existência, o My Darling YOU! lançou apenas EPs. Mas lá em 2006, no seu terceiro ano de existência, Klas Christopher, o dono do projeto, reuniu os 3 primeiros lançamentos (My Darling YOU!, Moving Out of Your House and Into Another e The Winter Will Take Us All) em um único álbum, chamado 16 Major Problems, e tentou dar um pouco mais de coesão no seu bedroom pop. Trabalho mais do que bem feito, pois o clima desses mini discos é um só: não de alegria apenas, mas de extravasão. Extravasar com o aparato possível, com os três objetos que se encontram a sua volta, como um Daniel Johnston embebido por esse sentimento que explode diversas vezes ao longo desses álbuns reunidos aqui e sem renegar em nenhum momento a emoção e certa melancolia que toda essa simplicidade pode trazer.

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The Embassy

Tacking

(2005; Service)

O Embassy há muitos anos é um verdadeiro tesouro para os apreciadores do pop sueco, pois ao mesmo tempo que eles foram e são amados (até onde eu sei) em sua terra natal, poucos deram bola para a sua música fora dela. Um pecado mortal se você consegue sentir os hits mais para cima do New Order e do Smiths se misturarem suave e gostosamente dentro da sua boca como um refrescante refrigerante. Tacking é um dos maiores discos da música pop da década passada.

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The Tough Alliance

The New School

(2005; Service)

E todo o cuidado que o Embassy mostrava ao deixar o seu pop amigável e tranquilo dentro de sua mente explode em The New School, do Tough Alliance. O disco até que começa comedido, com refrões cortados apesar das batidas já se mostraram bem para cima. “My Hood” e “Koka-Kola Veins”, porém, pegam o refresco deixado pelo Embassy e chacoalha, chacoalha e chacoalha até o negócio explodir no teto numa festa onde os únicos participantes são os dois membros do próprio Tough Alliance.

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Love Is All

Nine Times That Same Song

(2005; What’s Your Rupture)

Não sei se o termo feliz vem antes de hiperativo e energético para o Love Is All de Nine Times That Same Song, mas acredito que venha tudo numa boa onda de alegria galopando na bateria e no saxofone que mais funciona como uma bela dose de heroína ou gasolina para um grupo todo acelerado, principalmente a vocalista Josephine Olausoon.

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Montt Mardié

Drama

(2005; Hybris Records)

O lado bom da pieguice do amor nunca foi usado tão bem e de forma tão linda como nas mãos de Jens Lekman, mas ao mesmo tempo ele nunca foi tão pra cima como nas mãos de seu conterrâneo e contemporâneo Montt Mardié, ou David Olof Peter Pagmar. Drama, o seu disco de estreia, é uma homenagem à toda a breguice dos anos 80 com um dedo muito preciso para não deixar a sua alegria virar piada.

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The Charade

The Best Is Yet to Come

(2005; Skipping Stones Records)

The Best Is Yet to Come resume bem como o pop sueco do Charade e da época foi invariavelmente otimista e repleto de momentos alegres. Do começo ao fim desse álbum não resta dúvida de como a vida foi bem resolvida musicalmente na Suécia. São vários os exemplos, fora dessa lista inclusive, de como o indie pop/twee da Suécia feitos com o coração aberto. Resultado de um povo bem resolvido consigo mesmo, acredito piamente nisso. E por mais que o som do Charade não se destaque fora da caixa indie pop, o negócio é tão bom que mesmo a tristeza de A Real Life Drama, disco posterior a esse, não abala a alegria deixada, pelo menos nas meodias.

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I’m From Barcelona

Let Me Introduce My Friends

(2006; EMI Music)

A felicidade toda desse post só podia culminar, obviamente, no disco de estreia do I’m From Barcelona, Let Me Introduce My Friends. Às vezes essas músicas cantadas em coro parecem exageradamente felizes e doces, mas esse álbum extrapola tão bem o pop sueco feito nos anos anteriores que parece não haver indie pop sueco pós I’m From Barcelona na Suécia como houve até então. Um feito e muito bem feito, pois “Oversleeping”, “We’re From Barcelona”, “Treehouse” e “Chicken Pox”, para citar alguns, são hits inesquecíveis do feliz momento que viveu o pop sueco cerca de dez anos atrás.

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