Melancoluna VIII: O triste ano de 2014 até o momento

11.08.2014 — Colunas

linda-perhacsA Melancoluna tem sido uma das grandes satisfações minhas por aqui nos últimos meses e tenho sentido que ela precisa de um pouco mais de carinho por isso a partir de hoje ela vira uma coluna propriamente dita. Pretendo destrinchar um pouco mais os seus temas – talvez com mais músicas, mais textos, mais frequência e mais melancolia -, mas para começar apenas reuni 10 canções de 2014 até o momento que provam que a Melancoluna não traz apenas as mesmas velhas tristezas, as fotos em PB ou se resume a um saudosismo barato.

Talvez Blake Mills seja um nome polêmico para iniciar isso aqui pelo preconceito do rapaz ser um californiano muito bem relacionado, que já namorou uma das HAIM, e coisa e tal, mas “Don’t Tell Our Friends About Me”, tirada do disco que nem saiu ainda, Heigh Ho, consegue atingir pontos peculiarmente tristes que se situam bem na intersecção entre o pop, o rock e o folk que só Ryan Adams conseguia alcançar há mais de dez anos. Os dois podem ter muito em comum.

A volta de Linda Perhacs na sequência e o fim dessa lista com outro famoso retorno de carreira tardio, o de Vashti Bunyan, são apenas canções obrigatórias que cumprem um papel bem específico, o de reverência. Se Parallelograms (1970) ou Just Another Diamond Day (1970) não fazem parte da sua história ou não conversam com a sua alma em dias ruins, você deveria parar essa mixtape e escutar ambos na sequência e em loop. São dois álbuns que podem justificar de modo simplista a existência ou pelo menos a existência dessa maneira de Diane Cluck, Marissa Nadler ou Myriam Gendron, para citar algumas apenas dessa lista.

Claro que há em Marissa um ar gótico que às vezes pode até ser vislumbrado em Tara Jane O’Neill, mas nada parecido em Linda ou Vashti ou um tom mais duro e real em Diane Cluck que não se parece em nada com a plenitude transcendental de Linda, mas ainda assim visualizo essa linha história. Linha que não vejo quando ouço o belíssimo dueto de Doug Paisley com Mary Margaret O’Hara em “Because I Love You” ou na tristeza monstruosa de Chad VanGaalen.

Todo mundo falou muito de Benji, o novo álbum do Sun Kil Moon, mas a verdade é que eu não morri de amores por esse lançamento mais do que morri de amores por April (2008) ou por Ghosts of Great Highway (2003). Porém, “Carissa” é um tiro na cara do pai em pleno dia dos pais e começar um álbum com essa canção é algo que me faz aceitar todas as coisas boas que qualquer pessoa têm a dizer sobre Mark ou Benji. Concordando ou não.

Está (re)inaugurada, então, a Melancoluna. Quem sabe não reúno algo maior no fim do ano para não perdermos de vista toda a melancolia folk/country que permeia os dias e as noites.

Melancoluna VIII: Triste metade de 2014 by Suppaduppa on Grooveshark