10 momentos musicais marcantes dos filmes de Sofia Coppola

04.09.2014 — Matérias, Música

elle-fanning-somewhereEu gosto do vazio dos filmes de Sofia Coppola. Se não gostasse, seria incapaz de gostar de qualquer um dos cinco filmes que ela já dirigiu até hoje, pois o grande vazio de seus personagens e de seus ricos meios estão sempre em evidência, clamando por um riso nervoso, por uma tristeza inconsolável ou por um puro assombro. Sofia não nega o que recebe e não se importa com a incompreensão. É incompreendida desde pequena, quando brincava de atuar nos filmes de seu pai; é incompreendida agora que filma o que quer. Seja por ter crescido rodeada de glamour ou por ter crescido rodeada por artistas, ou pelos dois, Sofia Coppola tem um gosto estético e musical excelentes. E quando o vazio dos seus personagens e de suas longas imagens encontram as músicas certas, o filme cresce de maneira incontrolável. Em pelo menos dez momentos essa química foi perfeita.

1. Heart – “Magic Man” (The Virgin Suicides)

Trip Fontaine é o catalisador da história de The Virgin Suicides, o garanhão do colégio apresentado no filme, que se passa nos anos 70, ao som de “Magic Man”, do Heart. Só com a guitarra estourando ao fundo já é possível entender que tipo de personagem será Trip e com o baixo repetitivo o mesmo desfila pela escola com a sua linda cabeleira. Simples e muito preciso.

2. Air – “Playground Love” (The Virgin Suicides)

O Air é a trilha que toca ao longo de todo o filme e “Playground Love” é praticamente a música tema de Lux Lisbon (Kirsten Dunst), mas na cena em que Lux acorda sozinha no campo de futebol americano do colégio com o sol esboçando os primeiros raios, você começa a sentir a história virar enquanto só o instrumental de “Playground Love” ganha força ao fundo. Não existe tensão, apenas tristeza pelo o que vai acontecer.

3. Todd Rundgren – “Hello It’s Me” (The Virgin Suicides)

Quando tudo já está plenamente fudido na vida das irmãs Lisbon, ainda há o respiro final que culminará, uma hora, na típica cena da mãe conservadora mandando a filha queimar a coleção de discos do capeta. Mas voltando ao respiro final. Quando as irmãs começam a se comunicar com os moleques vizinhos através de discos tocados ao telefone, o coração chega a parar quando Todd Rundgren inicia esse diálogo. “Hello it’s Me” é simplesmente a inserção mais perfeita de música em qualquer filme da Sofia.

4. Roxy Music – “More Than This” (Lost in Translation)

Lost in Translation é lindo, mas Bill Murray é mais. Sim, meio lugar comum, óbvio e etc, mas ao longo de todo o filme, Sofia não nos dá muita alternativa além daquela na qual nos apaixonarmos por Charlotte (Scarlett Johansson) e Bob Harris (Bill Murray) de forma equilibrada e igualmente distribuída. Mas quando Bill Murray canta “More Than This” num típico e intimista karaokê japonês, a balança pende bastante para o seu lado.

5. The Jesus and Mary Chain – “Just Like Honey” (Lost in Translation)

A bateria chega momentos antes da cena final acabar e se você parar para pensar praticamente todas as músicas dessa lista conversam diretamente com a cena, com o filme, com o personagem. Muito mais do que as músicas-tema das novelas da Globo. É isso que dá tanta vida a essas cenas e aos filmes de Sofia. “Just Like Honey” carrega em si toda a beleza triste que a cena pede. Combina lindamente com o Japão passando no táxi de Bob e nos convence que nada mais poderia ou deveria passar na frente de nossos olhos.

Walking back to you
Is the hardest thing that
I can do
That I can do for you
For you

I’ll be your plastic toy
I’ll be your plastic toy
For you

Eating up the scum
Is the hardest thing for
Me to do
Just like honey

6. The Gang of Four – “Natural’s Not In It” (Marie Antoinette)

A entrada de Marie Antoinette ao som de um hit do Gang of Four já é por si só impactante, mas poucos imaginariam que a canção na verdade resume o filme. Tanto no post-punk energético que permeará o filme contrapondo cenários clássicos (The Cure, Siouxie and the Banshees e Bow Wow Wow), quanto em uma das canções mais críticas de Entertainment!.

Sell out, maintain the interest, remember Lot’s wife
Renounce all sin and vice, dream of the perfect life
This heaven gives me migraine
The problem of leisure, what to do for pleasure?
Repackaged sex, your interest

7. Bow Wow Wow – “I Want Candy” (Marie Antoinette)

No meio de Marie Antoinette passa um clipe perfeito para “I Want Candy”, do Bow Wow Wow, filmado mais de 20 anos depois. A música começa e termina com cenas rápidas de Kirsten Dunst e suas amigas se empanturrando de sapatos e vestindo doces dos mais variados e franceses possíveis. Sim, o negócio é rápido, rápido, rápido e marcante.

8. Gwen Steffani – “Cool” (Somewhere)

Por mais que em Somewhere e, de forma mais escancarada, em The Bling Ring, a música começa a ficar mais moderna e atual, é fácil ver que no fundo o negócio na verdade não é bem assim. Essa lindíssima canção de Gwen Stefani é a mais saudosa dos anos 80 possível e sonoriza a performance de Elle no ringue de patinação de forma singela e bonita, como se a vida fosse um sonho de volta aos anos 80.

9. Julian Casablancas – “I’ll Try Anything Once” (Somewhere)

Elle Fanning faz uma bela atuação como a filha de um famoso ator de Hollywood que vive no Chateau Marmont, hotel mitológico de Los Angeles, e essa é a segunda cena protagonizada pela menina nessa lista. Eu até sinto que deveria ter uma canção do Phoenix por aqui, já que o vocalista é marido de Sofia e as músicas do grupo pipocam por todos os lados desde 2003. Mas Julian consegue nessa versão de “I’ll Try Anything Once” dar mais um ar saudosista à lista com o seu canto arrastado e apenas um teclado o acompanhando enquanto pai e filha se divertem na piscina.

10. Rick Ross ft. Lil Wayne – “9 Piece” (The Bling Ring)

Saudosismo que simplesmente acaba com The Bling Ring e sua urgência. Um filme desnecessário quando analiso a filmografia de Sofia. Quase uma anti-Maria Antonieta, apesar de muitos vazios serem semelhantes em ambos. Mas o que mais me incomoda é ver um filme atual, imediato e rico ser sonorizado por Iggy Azalea, Sleigh Bells, Deadmau5, Kanye West e etc. Assim, sem ironia mesmo. Ainda bem também. Os momentos musicais são vários e alguns muito bons, mas não consegui me relacionar. A cena do carro com três filhinhos da alta sociedade californiana cantando “9 Piece”, de Rick Ross, é a mais representativa do filme e por isso ela fecha essa lista.

10 momentos musicais de Sofia Coppola by Suppaduppa on Grooveshark

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