8 discos para nunca nos esquecermos do Sun City Girls

17.09.2014 — Matérias, Música

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Quando observamos uma discografia tão vasta e rica como a do Sun City Girls, dá pra dizer que não é uma tarefa fácil pincelar alguns álbuns para poder indicar/recordar/revisitar. Por outro lado, é exatamente por estarmos lidando com uma banda tão complexa como essa, cujos discos são bastante diferentes entre si, que fico mais tranquilo para eleger alguns entre aqueles que considero os mais expressivos do trio. De uma forma ou de outra, não tem muito erro: se qualquer um dos 50 trabalhos do grupo cair no seu colo, leve-o para casa e bote pra tocar. O Sun City Girls encerrou suas atividades em 2007 após a morte do baterista Charles Gocher, mas o brasileiros poderão assistir, na sexta (19) e no sábado (20), dois terços do grupo (os irmãos Alan e Richard Bishop, disfarçados de The Brothers Unconnected) ao vivo, tocando antigos clássicos da banda. Até lá, listo aqui oito álbuns para nunca nos esquecermos do trio mágico que durou 27 anos.

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Entrevista: Alan Bishop/Alvarius B.

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330,003 Crossdressers From Beyond the Rig Veda
(Abduction; 1996)

 
Talvez não seja o melhor disco para entrar no mundo do Sun City Girls, mas é sem dúvida um dos mais completos para compreender um pouquinho onde você está se metendo. Tem pra todos os gostos: free folk, improvisação, surf music, rock, as sonoridades do sudeste asiático e por aí vai. Um álbum duplo e longo, além de um tanto quanto esquizofrênico, o que sinceramente pode não dizer muita coisa já que quase tudo o que eles fizeram costuma ser mais ou menos assim. Há algo de poderoso em canções como “Apna Desh”, “Rookoobay”, “Theme From ‘Sangkala'” e “Cineraria Blue” que me fez sempre voltar para 330,003 Crossdressers From Beyond the Rig Veda de tempos em tempos.

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Grotto of Miracles
(Placebo; 1986)

 
Grotto of Miracles, o segundo LP oficial do Sun City Girls, é relativamente “belo” e “calmo”. “Radio Morocco” abra maravilhosamente bem o disco, enquanto “Different Kind of Whore” parece querer te estuprar bem devagarinho. Gosto muito do jazz old-school de “In a Lesbian Meadow”, assim como da categoria de “Kal el Lazi Kad Ham”, um pouco exotica, um pouco trilha sonora. É bom tomar cuidado pois no fim das contas, atraído pela falsa beleza e calmaria do álbum, você pode se encontrar nas profundezas do inferno.

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Torch of the Mystics
(Majora; 1990)

 
O mais “pop”, o mais “focado”, o menos “difícil” de toda a discografia do Sun City Girls. Torch of the Mystics é um pouquinho diferente do restante dos trabalhos da banda, e talvez por ser um apanhado de canções de mais fácil digestão, muita gente costuma considera-lo o melhor álbum do trio. Pra quem gosta de uma referência brega, no meio dessa bagunça doce ouvimos “The Shining Path”, que apesar do nome é na verdade cover de “Chorando Se Foi”, embora aqui seja cantada em espanhol como a original (“Llorando Se Fue”) – belíssima, diga-se de passagem.

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Kaliflower
(Abduction; 1993)

 
“X + Y = Fuck You” por si só já valeria o seu dinheiro caso você tivesse comprado Kaliflower, mas esse é um trabalho que tem algumas das canções mais espetaculares que a banda fez durante sua existência. Entre elas “Dead Chick In The River” – de causar tontura –, “And So The Dead Tongue Sang” – quase um ritual satânico –, e, por fim, “The Venerable Uncle Tompa” – uma faixa pra chamar a chuva com seus 17 tensos minutos e que nos faz querer evaporar.

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Dante’s Disneyland Inferno
(Abduction; 1996)

 
Outro álbum (duplo e longo!) cujas músicas atiram para todos os lados. Histórias sem pé nem cabeça, folk torto, jazz de fundo de quintal, rock de jardim de infância, rap de branquelo caipira e até uma zoeira aqui e ali… a lista de “gêneros” é longa. Dante’s Disneyland Inferno parece um pesadelo cujos protagonistas são psicopatas que fecham as portas do seu cérebro para você nunca acordar. Não se deixe enganar pelo violão simples de “Soft Fragile Eggshell Minds”, pois logo “Pay The Fiddler” (e basicamente tudo o que vem depois) te mostra onde você está.

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Carnival Folklore Resurrection 7: Libyan Dream
(Abduction; 1993)

 
Meio que um punk rock bastardo, “Journey To The Center Of The Mind”, a faixa que abre Libyan Dream, dá o tom do que vem a seguir. O sétimo volume da série Carnival Folklore Resurrection talvez seja o melhor: barulhento, decadente, desafinado, doente.  São 10 canções bem cruas, e a gravação agressiva e sem muito cuidado dos instrumentos vão encher seu coração de beleza se assim você permitir, especialmente quando você se deparar com o lado mais árabe das composições. Um trabalho singelo que vai direto ao ponto e, pra mim, a cara do Sun City Girls.

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Flute and Mask
(Abduction; 2001)

 
Muito pouco citado quando se fala sobre SCG e, portanto, bastante subestimado. Flute and Mask começa bem esquisito com os quase 17 minutos de “Where’s My Fuckin’ Jesus?” e segue essa toada experimental com as belas “Lord Brown of Due South” e “Balcony Sampoerna”, só pra citar dois exemplos claros. De certa forma um disco relativamente simples para os padrões do grupo, mas ao mesmo tempo contemplativo e cheio de alma.

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Funeral Mariachi
(Abduction; 2010)

 
Embora tenha sido gravado quando Gocher ainda era vivo, Funeral Mariachi soa e parece, e não só pelo título, um disco de despedida em muitos sentidos. O tom melancólico e por vezes triste permeia quase todas as suas onze canções, lembrando até as trilhas mais “cabisbaixas” (e até as feitas para os spaghetti western) do compositor italiano Ennio Morricone. Também é um dos álbuns do Sun City Girls que têm a sonoridade mais limpa, talvez pela gravação boa que passa longe do lo-fi. “Black Orchid”, “Vine Street Piano”, “Blue West” e “El Solo” são os destaques óbvios.
 
 

THE BROTHERS UNCONNECTED NO BRASIL

Quando: Sexta (19/09), às 22h
Onde: Disco Hype – BR 459, Km 101 – Pouso Alegre/MG
Quanto: R$ 20
Info: Noropolis

Quando: Sábado (20/09), às 19h
Onde: Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1000, Liberdade – São Paulo/SP
Quanto: Grátis
Info: Facebook