Viet Cong – Viet Cong (Jagjaguwar; 2015)

03.03.2015 — Música, Resenhas

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A caminhada do Viet Cong no seu autointitulado álbum de estreia é totalmente imprevisível. Mas ao contrário da imprevisibilidade do Women, que fazia do barulho de suas guitarras e do lo-fi os pilares de sua música, o Viet Cong, formado por dois membros do próprio Women, o baixista e vocalista Matt Fiegel e o guitarrista Michael Wallace, mais Scott Monroe e Daniel Christensen, se mostra totalmente imprevisível nos climas construídos ao longo do álbum.

“Newspaper Spoons” com uma bateria tribal infernal e um teclado que ao mesmo tempo tenta anunciar o paraíso abre o disco mostrando a pesada carga emocional que terá Viet Cong. “Pointless Experience” já chega mais dançante e com o baixo guiando totalmente a canção, como se o Gang of Four fosse liderado por Ian Curtis, enquanto na letra o grupo mostra o impacto da morte precoce do guitarrista e vocalista Chris Reimer, ex-Women, em 2012: “If we’re lucky we’ll get old and die”, resumindo assim a “experiência sem sentido” que pode ser a vida. E quando parecia que o álbum ia tomando forma e cara, uma faixa bem post-punk, “March of Progress” aparece na sequência para confundir e fundir as mentes com uma batida repetitiva e industrial se eternizando por quase três minutos antes da guitarra bem ao estilo Women começar a cortar o ar acompanhada por um canto falado por mais dois minutos para então o grupo voltar com tudo como se o Women revivesse melódico e se aproximasse do nihilismo de Spencer Krug, do Wolf Parade.

Canção que anuncia uma segunda parte mais concisa de um grupo muito consciente do que quer musicalmente. “Bunker Buster”, quando fica totalmente instrumental na metade da faixa, é uma aula de um clássico quarteto tocando em harmonia. “Continental Shelf” e suas constantes mudanças de humor fica extremamente bela no refrão enquanto “Silhouettes” extremamente dançante. “Death” finaliza com 11 minutos de um resumo de tudo o que se passou, focando na obscuridade do desconhecido, na bateria forte e nas constantes mudanças de força.

Viet Cong não deveria surpreender quando vemos as pessoas envolvidas no projeto, mas surpreende porque não era esperado algo tão falsamente normal do grupo. O resultado final é tão intenso e sombrio, mas dentro de estruturas musicais bem definidas, que acabamos sendo hipnotizados e sugados para dentro desse vórtex de dúvidas e melancolia dançante.

8.2

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