Dr. Dog – Live At A Flamingo Hotel (Anti; 2015)

05.03.2015 — Música, Resenhas

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Sai ano, entra ano e o Dr. Dog continua marcando presença em minha vida de uma forma ou de outra. Uma intensa década (desde que os conheci) de discos bons, discos médios, discos espetaculares, histórias e memórias de uma vida inteira em São Paulo. Sim, nada disso importa neste exato momento. Importa, e muito, que os norte-americanos da Filadélfia conseguiram botar de pé uma baita apresentação para seus fãs e ainda registra-la belamente para os que não puderam estar lá presentes. Assim é Live At A Flamingo Hotel, disco ao vivo do grupo que saiu no comecinho de 2015.

Começar com “These Days” me parece uma escolha e tanto – a música é uma das melhores de um dos álbuns “médios” do Dr. Dog, Be The Void (2012). O repertório que segue é fino e passa por quase toda a discografia do Dr. Dog, com direito inclusive à cover de Architecture in Helsinki, “Heart It Races”, já gravada anteriormente pelo quinteto. Entre tantas boas canções, difícil seria que não ficassem de fora algumas favoritas do Suppaduppa. Até por isso, pra mim o ponto baixo da apresentação é não ter nenhuma do Easy Beat (2005), disco mais psicodélico do quinteto e nossa porta de entrada para o som do grupo. Além disso, covardia colocar apenas duas de We All Belong (2007): “Ain’t It Strange” e “Worst Trip”. Apenas detalhes.

Mas o que me deixa feliz de verdade é ouví-los tocando canções do estupendo e (ainda hoje) completamente subestimado Toothbrush (2002), como “Say Ahhh” — que aqui ganha uma roupagem quase instrumental, mas com um ar dramático no final graças a um crescendo poderoso — e a belíssima “County Line”, cantada num tom mais otimista ao vivo, mas mantendo a simplicidade e solidão tão presentes em seus versos. Bom também é ouvir “Broken Heart”, “The Truth” e “Too Weak To Ramble”, todas do excelente B-Room, melhor trabalho de estúdio lançado pelo Dr. Dog desde Fate (2008) e um dos mais memoráveis discos de 2013.

Afirmo com uma grande proporção de certeza que Live At A Flamingo Hotel não serve apenas para os fãs antigos da banda. Mais do que isso, o álbum é de certa forma um best of ao vivo e uma ótima forma para atrair novos ouvintes — e, claro, para que assim o catálogo inteiro seja mais conhecido por aí. Ou até por esses lados. Quem sabe, assim, alguém não resolve trazê-los para uma apresentação dessas nesse nosso imenso país.

8.6

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