Ryley Walker – Primrose Green (Dead Oceans; 2015)

12.03.2015 — Música, Resenhas

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A primeira dica que Ryley Walker dá sobre seu novo disco, Primrose Green, é pela capa. Ryley com o seu cabelo comprido e meticulosamente desalinhado ao fundo e posando no meio do verde da natureza remete de cara ao primeiro album solo de Graham Nash, Songs for Beginners (1971), enquanto a imagem em dupla exposição com uma foto bem de perto de seu rosto em perfil remete, por outro lado, ao clássico de Van Morrison, Astral Weeks (1968). Por fim, essa fonte com alguns floreios poderia estampar algum lançamento do Fairport Convention. Porém, por mais que seja possível escutar um pouco de Nash e Morrison em Primrose Green, Ryley pende muito mais para o folk britânico e meio jazz do fim dos anos 60, do qual Van Morrison está bem mais próximos.

Próximo como na faixa-título, como no baixo que abre “Summer Dress” e na voz e repetição de “feel it feel it feel it” no refrão e como na viagem inicial de “Love Can Be Cruel”. Mas por mais que esses momentos sejam bem cruciais para o disco, é no dedilhar de seu violão que Ryley mostra toda a sua beleza como músico, é quando ele mostra que ouviu de tudo, mas aprendeu a dedilhar com Bert Jansch e Nick Drake e a cantar com Tim Buckley, conquistando por completo o fã do estilo.

Não tenho medo de citar todas essas supostas influências de Primrose Green porque sei que Ryley Walker, de apenas 24 anos e em seu segundo disco solo, está querendo abrir o jogo sobre o seu gosto musical. E a partir dessas influências ou a partir desses influenciadores, Ryley faz um belíssimo disco por conseguir trabalhar tão bem em bases tão sólidas da música. Deus sabe o quanto pode ser complicado fazer um grupo viajar em longas faixas de folk/jazz sem cair em repetições chatíssimas, mas quando Ryley coloca esses baixos de Astral Weeks para guiar as suas faixas, quando hipnotiza com o seu violão e seu sussurrar sem parecer mais um cara melancólico, mas, consegue musicalmente relembrar os bons tempos de Tim Buckley, é quando Primrose Green abre uma janela de um castelo no interior da Irlanda para finalmente jogar um pouco de luz em um vasto quarto abandonado.

8.0

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