Melancoluna IX: Wilco Demos – Jeff e Jay

16.03.2015 — Matérias, Música

 

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Ano passado o Wilco lançou duas compilações. Uma bem tradicional de best of e outra mais ousada com praticamente 80 faixas distribuídas em quatro discos só de raridades, versões ao vivo e lados b. A primeira compilação deve satisfazer o grande público e quem sabe angariar novos ouvintes (compradores), mas a segunda é bem voltada para os fãs de longa data e por isso falarei dela nessa Melancoluna, pois ela remexe bem nos primeiros anos da banda e se revela um ótimo documento para entender a evolução do grupo.

A cada novo lançamento do Wilco desde A Ghost Is Born (2004) eu fico pensando porque insistem em utilizar o termo dad rock ampla e vulgarmente para explicar o som do grupo e a minha conclusão é bem simplória na verdade. Dad rock simplesmente porque o Wilco de hoje parece fazer música unânime, música que até o seu pai gostaria, e isso ofende os críticos que deram nota dez por toda a ousadia e por cada barulho de Yankee Hotel Foxtrot (2002). Mas o povo dormiu, babou e se esqueceu que Yankee não foi apenas o último disco mais experimental do Wilco, mas foi, principalmente, o último disco com a participação de Jay Bennett.

E antes que alguém pense o indevido, revelo de cara que eu gosto bastante dos lançamentos do Wilco pós Yankee. Porém, existe um amor e carinho tão grande pelas composições de Jeff em parceria ou em companhia de Jay que só será explicado por essa Melancoluna (em partes). Jeff continuou fazendo lindas canções com refrões maravilhosos nos últimos dez anos, como “At Least That’s What You Said”, “Spiders (Kidsmoke)”, “Impossible Germany” e tantas, tantas, tantas outras, mas é aquele Wilco dos anos 90 o homenageado aqui, pois só ele trouxe a melancolia em composições tão lindas que ganham ainda mais charme nessas gravações ruins, em versões sem muitos dos instrumentos contidos nas versões finais ou com solos tão mais arrasadores que os originais. Melancolia muito mais crua que mostra que a perda do Wilco não foi de ousadia, mas de parte do coração.

Uma parte bem melódica e melancólica.

A.M. com “Passenger Side”; Being There com “Red-Eyed and Blue” e “Sunken Treasure”; Summerteeth com “She’s a Jar” e Yankee Hotel Foxtrot com “Jesus, etc” estão todos muito bem representados aqui, mas acho que essa retrospectiva só fica completa porque nela encontramos pepitas como o cover de “Thirteen”, do Big Star, até então eternizada por Elliott Smith. “Cars Can’t Escape”, que vimos Jeff and Jay tocarem juntos e lindamente em I Am Trying to Break Your Heart, filme que mostra o relacionamento conturbado entre os dois, e “Let Me Come Home”, que só tinha sido lançada na Amos House Collection, Vol. 3.

Uma ótima oportunidade para revisitarmos esse post que estava parado há uns meses que por sua vez remexe nos primeiros 10 anos do WIlco sem muitos filtros, para revelar não só a importância do Wilco, mas toda a tristeza empática que acabou ficando, pelo menos em partes, pelo caminho.

Tracklist da mixtape:
“Red-Eyed and Blue” (Live)
“Blasting Fonda”
“Passenger Side” (Demo)
“Thirteen” (Big Star cover)
“Sunken Treasure” (Live)
“Cars Can’t Escape”
“She’s a Jar” (Austin Demo Version)
“More Like the Moon”
“Jesus, etc” (feat. Andrew Bird)
“Let Me Come Home”