Steve Gunn & The Black Twig Pickers – Seasonal Hire (Thrill Jockey; 2015)

20.03.2015 — Música, Resenhas

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Nos últimos três anos parece que eu vi o Steve Gunn lançar uns 10 discos. Entre lançamentos solos, parcerias, participações e descobertas, poucos músicos cresceram tanto na minha admiração nesse período como Steve Gunn, que acabou de ser contratado pela Matador. Notícia que não surpreende se escutarmos ao ótimo Way Out Weather, do ano passado. Um álbum que passeia entre o rock e o folk conectados apenas pela sua guitarra/violão precisa e meticulosa com composições tradicionais dentro desses estilos, mas com um vocal peculiar, arrastado, rapidamente identificável, mas sem conseguirmos identificar direito o que canta.

Porém, se pegarmos Seasonal Hire, álbum que Steve acabou de lançar em parceria com o Black Twig Pickers, atravessaríamos os Apalaches voando e hipnotizados pela paisagem exuberante e pousaríamos no topo de uma montanha com a cabeça vazia de pensamentos, mas ressoando cada nota do banjo e do violino dos Black Twig Pickers. Após essa audição, não parece fazer muito sentido a Matador o contratar.

Em cinco canções e pouco mais de meia hora, Seasonal Hire mostra como Steve Gunn e os Black Twig Pickers transformam a música apalache de banjos e violinos mais bonitos, esse revivido por Sam Amidon anos atrás, em uma verdadeira transe, agressiva até em certos momentos, e repleta de tensões, repetições e reverb ao mesmo tempo que não deixa a paz da vasta paisagem, da liberdade do vôo e do peso da história interferirem na beleza do disco.

Os mais de dezesseis minutos da faixa-título mostram bem como essa parceria empurrou Steve para os cantos do seu ringue e de sua mente e o deixou lado a lado com os Black Twig Pickers. A faixa cresce lentamente em uma mistura de instrumentos e drone que ao fim poderíamos estar tanto num mosteiro na Índia quanto em Mississippi.

Seasonal Hire dá continuidade ao clima mais pastoral e pacífico dos outros álbuns de Steve (Time Off, Sundowner e os da parceria com Mike Cooper), mas essa falta de possibilidade de se pensar sobre o que está acontecendo é algo que não tinha escutado em seus álbuns e acontece muito por causa dessa segunda parceria com os Black Twig Pickers, que por sua vez simplesmente tomam conta do disco. Steve então já foi a estrela dos seus discos, coadjuvante e aqui dividi as atenções igualmente e o resultado é um dos mais surpreendentes, pois Seasonal Hire é bonito, é confuso e é pleno.

8.5