Laura Groves – Committed Language EP (Deek Recordings; 2015)

25.03.2015 — Música, Resenhas

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Do alto de um prédio com vista para muitos outros prédios, perto e longe, ao som de carros passando que soam como um mar estranho, preto, com ondas sem padrão, som que bruscamente é interrompido por uma sirene, um grito, pneus queimando. Do alto do prédio, não há montanhas. O vento, porém, encontra o seu caminho. Passa por debaixo da porta, pelas frestas da janela, por onde o gato não passa, mas tenta. Do alto do prédio não há estrelas, mas o outro lado parece tão palpável. Logo ali passando a rede, a neblina, a poluição, a fumaça, as estrelas de abajur. Do alto de um prédio, Laura Groves brinca com a madrugada. Chuta a onda disforme, quebra o comprido silêncio, sopra o vento da madrugada e dança de preto no céu roxo. Committed Language preenche o ambiente silenciosamente, toma conta do corpo e da mente como o vento contorna a montanha, em um segundo foi dos pés para a cabeça e da cabeça aos pés novamente. Laura Groves é prédio e montanha. É firme, mas se despedaça a cada segundo. A cada segundo a matéria definha. Quilos de células mortas atravessam o Atlântico. Laura Groves será encontrada no Saara, no meio do Atlântico, no porão da minha casa sem porão. Como uma Grimes semi gótica ou uma Stevie Nicks soturna, Laura Groves flutua pela madrugada se desvencilhando da matéria e se transformando em silêncio.

7.8

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