Tētēma – Geocidal (Ipecac Recordings; 2014)

19.04.2015 — Música, Resenhas

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Enquanto os fãs de Mike Patton ainda tentam conter os ânimos ao perceberem que o primeiro disco inédito do Faith No More em 18 anos vazou na internet nessa semana, eu corro atrás do tempo perdido e dou a devida atenção a Geocidal, disco de estreia do Tētēma, projeto de Anthony Panteras com o músico já citado lá no começo do parágrafo. A verdade é que, felizmente ou infelizmente, eu já não espero mais muita coisa do vocalista e compositor americano de uns tempos pra cá, uma vez que seus últimos trabalhos têm deixado a desejar, com algumas exceções, claro. Mas é exatamente por isso que acabamos nos surpreendendo positivamente de vez em quando.

Desconheço por completo a carreira de Panteras, australiano que já tem uma porção de discos de música eletroacústica, mas conheço bem a de Mike Patton – e por um motivo ou outro acabo sempre por apreciar mais seus trabalhos experimentais. Geocidal é um deles. Um álbum que talvez se encaixe entre o melhor do lado mais hostil do Tomahawk e a loucura sônica do Fantômas (e até mesmo com alguma coisinha do Mr. Bungle no meio do caminho), mas com algo novo e fresco, embora sempre familiar. O instrumental passeia entre gêneros como o noise, a eletrônica, o metal e até ao rock mais básico/clássico, sempre com pitadas de experimentação não muito difíceis de serem digeridas. Diversas das músicas são quase mantras repletos de detalhes, e a recomendação é a do uso de bons fones de ouvido. No que diz respeito aos vocais, Patton entrega o esperado: alguns gritos extremos, sussurros e de vez em quando cantorias até um tanto limpas e diretas. E, pra mim, o cantor brilha mesmo quando utiliza sua voz como outro instrumento, se misturando com os vários barulhos do disco.

Pelo release descobrimos que esse é um daqueles trabalhos de estúdio entre os quais os músicos nem mesmo precisaram se encontrar – um gravou sua parte na Austrália, o outro na Califórnia. Dá até pra perceber, e isso não é um problema, pelo contrário. O resultado final surpreende justamente pelo impacto sonoro que o registro tem graças aos esforços individuais de dois ou mais sujeitos que souberam bem o direcionamento a ser dado às excelentes composições de Geocidal. O disco foi lançado no final de 2014 e quase escapou do meu radar, mas hoje sou mais feliz por tê-lo ouvido com mais carinho. Espero que você, fã de Mike Patton ou não, faça o mesmo.

7.9