Fred Thomas – All Are Saved

05.05.2015 — Música, Resenhas

fred-thomas-all-are-saved

What will we do with all these words when we die
Will they spend like currency in our afterlife?
Saturday Looks Good To Me – “Money in the Afterlife”

É bem claro desde o começo de All Are Saved que Fred Thomas alcançou depois de muitos anos o que queria com a sua carreira fora do Saturday Looks Good To Me. Com uma mistura bem balanceada de barulhos (bastante experimentados com os dois discos do City Center), lindas melodias (arte na qual é simplesmente mestre com o SLGTM) e composições bem estruturadas de um singer-songwriter (a maioria dos seus discos solos segue essa linha), All Are Saved é um belo encontro de Fred Thomas consigo mesmo em suas diversas fases. Um entendimento de eras que pode até não parecer tão diferentes assim sob um olhar distante ou desatento, mas cada passo de Fred é muito bem analisado por aqui porque existe uma honestidade sentimental em cada um de seus lançamentos que comove. E eu só afirmo que Fred Thomas está à vontade e pleno em All Are Saved porque ele fala (“Bad Blood”) e fala (“Unfading Flower”) e fala (“Bed Bugs”) e fala (“Expo ‘87”) como se fosse impossível conter essa enxurrada de pensamentos que, sabemos, toma conta de suas melhores composições; ele faz cada palavra parecer imprescindível e consegue comover justamente por ser um juiz tão bom ao não exagerar nas palavras, nos barulhos, na beleza e na tristeza. All Are Saved é um disco muito bonito e equilibrado porque Fred corre livre. E quanto mais ele corre, mais próximo ele está de sua plenitude musical. Ele sai da melodia, acelera e desacelera na voz, mas não perde a linha do pensamento. Fred Thomas no auge de sua carreira solo (aqui e agora) é um rapper do twee. Por enquanto, o melhor.

7.9