Melancoluna XI: 10 tristes canções do Mountain Goats

18.05.2015 — Blog

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Ao longo dos mais de vinte anos de carreira, John Darnielle (entrevista) já passou por diversas fases com a sua banda, o Mountain Goats. Seja lo-fi, meio Daniel Johnston, folk, singer/songwriter, às vezes meio twee, metaleiro, poeta punk ou tudo ao mesmo tempo, sempre houve em seus discos, e já foram muitos, aquela canção de arrebentar o coração. Aquela faixa levada apenas ao violão ou piano carregando apenas os sentimentos e pensamentos de John; aquela faixa tão vazia de instrumentos, mas ao mesmo tempo tão repleta, que a inevitável melancolia até aparece com um sorriso na cara.

Escolhendo dez dessas canções de dez discos diferentes, que vão de 1995 a 2012, dá para entender melhor que a música do Mountain Goats é cheia de vida, porque por mais tristes que essas canções e histórias possam ser, John Darnielle carrega em seu canto juvenil uma esperança que nunca se perdeu.

“Get Lonely”, que abre o nome de mesmo álbum, é a mais escancaradamente triste dentre todas da lista. Get Lonely (2006) inteiro na verdade é solitário como poucos discos são, mas visualizar John buscando por ar logo na faixa inicial é de deixar qualquer um apreensivo e com a respiração pesada. “Never Quite Free”, de All Eternals Deck (2011), ao piano pode até ser mais bonita do que triste, mas o refrão com “When you see me, you’ll know” esconde um mistério que transforma a faixa numa grande massa cinzenta indecifrável. “Whole Wide World”, de Sweden (1995), é uma das únicas do álbum que se destaca mais pela melodia do que pela gravação totalmente lo-fi do álbum; melodia triste, claro. Em “We Have Seen the Enemy”, de Zopilote Machine (1994), John introduz a faixa falando e entra num único refrão desafinado e em tom tão estranho e solitário e bonito ao mesmo tempo que a faixa não poderia ter mais de dois minutos mesmo. Para finalizar, “Matthew 25:21”, de The Life of the World to Come (2009), traz a mais triste história de todas: John vai de encontro com a sua mãe em fase terminal de câncer, a viagem para vê-la pela última vez, os efeitos da quimioterapia e a conclusão de que ele não está pronto é uma vagarosa e melancólica viagem por uma das estradas mais tristes da música dos últimos tempos, mais até que alguns dos caminhos tomados por Sufjan em Carrie & Lowell (resenha).

And then came to your bedside
And as it turns out
I’m not ready
And as though
You were speaking through a thick haze
You said hello to me
We all stood there around you
Happy to hear you speak
The last of something bright burning
Still burning
Beyond the cancer and the chemotherapy
And you were a presence full of light upon this earth
And I am a witness to your life and to it’s worth
It’s three days later when I get the call
And there’s nobody around to break my fall