Coluna Azul: O. V. Wright – We’re Still Together

22.05.2015 — Matérias, Música

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O. V. Wright, ou Overton Vertis Wright, um dia falou uma frase que resume bem a sua arte: “Soul is church. Just changing ‘Jesus’ to ‘baby’. That’s all it is”. Famoso pelo soul e pelo gospel, O. V. começou sua carreira em meados dos anos 60 e foi até o fim dos 70 lançando discos de pura emoção soul que, raras as exceções (A Nickel and a Nail and Ace of Spades, de 1971, e Memphis Unlimited, de 1973), passaram e passam sem chamar muita atenção apesar de uma voz potente e até única, muitas vezes no limite entre o masculino e o feminino, entre James Carr e Lyn Collins.

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Apesar de ter lançado pelo menos 5 ou 6 discos mais consistentes do que o derradeiro, falarei de We’re Still Together, de 1979, por causa dessa capa linda e porque O. V. Wright ficou bem próximo dos anos 80, mas respondeu muito bem às sensações da disco music que tomava conta do período. We’re Still Together é uma mistura bem bonita de soul, blues e disco e por mais que essa mistura não seja a área de O. V. Wright, o resultado é franco com as primeiras pinceladas mais brega em sua música da década que estava por vir.

A faixa título parece tão atual no funk/disco que poderia até estar num álbum de Lee Fields, enquanto “I Found Peace” procura o lado mais sensual da disco music.”It’s Cold Without Your Love” e “Baby Baby Baby” são tão emocionantes no soul que chegam com aquele toque açucarado e melado com backing vocals amaciando a alma. “The Hurt Is On” é o último sopro dançante de O.V., “Today I Sing the Blues”, um inesperado blues no meio de um álbum que busca o tempo todo soar atual e o final com “Mirror of My Soul” e “Sacrifice” fecham We’re Still Together com o soul lá em cima, ou seja, com O. V. Wright sendo o padre que a gente precisa para a salvação de nossas almas.