Built to Spill – Untethered Moon (Warner Bros.; 2015)

10.06.2015 — Música, Resenhas

Untethered Moon

O Built to Spill tem levado o seu tempo para lançar os seus discos no século XXI. Untethered Moon é apenas o quarto lançamento desde 2001, versus outros quatro lançamentos em menos de seis anos nos anos 90. Isso mostra como Doug Martsch conhece os seus limites, sabe do que se trata o seu Built to Spill, sabe o que é esperado de suas músicas e de seus solos e respeita muito tudo isso. Sabe que a sequência There’s Nothing Wrong With Love (1994) e seu pop leve, Perfect From Now On (1997) e o seu clima mais progressivo de solos perfeitos e Keep It Like a Secret (1999) e a sua mistura precisa de lindos solos em canções pop e melodia melancólicas é simplesmente imbatível. Não deve ser fácil viver sabendo que os seus melhores dias ficaram para trás, mas não acaba sendo assim em grande parte das nossas vidas?

Sim e não.

Difícil fugir do lugar comum quando falamos de tempo e idade. O bom é que Doug passa por cima disso com dignidade nesse disco, como passou quando lançou You In Reverse, em 2006, quando não se esperava nada mais do Built to Spill. Quase dez ano depois e após um disco pouco comentado e também pouco inspirado, There Is No Enemy (2009), Doug volta com um Built to Spill reformulado e, por isso também, um grupo com um ar rejuvenescido.

Os velhos solos, as velhas viradas, o velho vocal fino e o velho ar melancólico em cima de um grupo renovado e cheio de vida. Energia essa que sobra em “Some Other Song” e na quebra da introdução pesada com um vocal tão melodioso e em “So”, repleta de reverb em uma canção tão intimista. Energia que também se mistura com um certo ar de deboche e tranquilidade em “Living Zoo”; que remete ao grupo de meados dos anos 90 com a ingenuidade de “Never Be the Same”; e que finalmente explode de forma apoteótica na derradeira “When I’m Blind”, a única que ultrapassa os oito minutos sem cerimônia e com uma sequência linda de solos em cima de uma base mais para cima. Cinco minutos de solo de guitarra que reverte os seis anos de espera por um novo álbum em anos de juventude a um grupo que estava, sim, sentindo o peso do tempo. O peso da guitarra de Doug Martsch, porém, vence em Untethered Moon.

8.0