10 discos de mulheres do country pop dos anos 60

15.07.2015 — Matérias, Música

kitty-wellsEm territórios dominados por homens, as mulheres do country e country pop sempre tiveram papel secundário. Por isso há uma real empolgação quando uma ou outra cantora, pelas mais diversas virtudes que não apenas suas belezas, surge com belas canções, voz forte e peculiar, ironia na medida certa e a atitude e dignidade de vestir bem suas botas. Kacey Musgraves é essa mulher hoje. Mesmo não tendo uma voz única e potente, ela consegue tocar em pontos pouco falados no country pop, com refrões honestos e grudentos e numa linguagem simples e pop. Releve a obviedade de alguns versos ou a pouca ousadia ao falar de liberdade, homossexualidade ou apenas sobre o amor. Kacey, nos seus melhores momentos, tem a atitude das grandes cantoras country dos anos 60. Ou melhor, ela tem a atitude que remete a essas grandes cantoras adaptadas para o country pop pouco ousado de hoje.

Quem são essas mulheres country pop dos anos 60? Confira abaixo os dez discos que podem revelar muito de onde vem Kacey Musgraves, que claramente cresceu ouvindo muito ao bom e velho country e mantém ótima companhia nos arranjos de suas canções e na produção de seus discos, Same Trailer, Different Park (2013) e Pageant Material (2015).

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Dolly Parton
Just Because I’m a Woman (RCA Victor; 1968)

Impossível falar do country pop sem começar por Dolly Parton. Por mais que sua figura tenha se transformado num negócio um tanto bizarro com o passar das décadas, Dolly sempre será a encarnação da mulher country que sofre, que ama, mas que é forte e firme. Às vezes em tom de brincadeira, tongue in cheek (“Oh, I’ll oil wells love you“), mas sempre se posicionando e batendo a bota no chão. Just Because I’m a Woman, seu segundo disco, é bonito, engraçado e irônico e se sua voz e suas canções mostram uma mulher poderosa que se finge de besta, é melhor você prestar atenção. Mesmo aos 22 anos, em 1968, Dolly já era uma mulher vivida.

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Kitty Wells
Kitty’s Choice (Decca; 1960)

Nos anos 50 até o começo dos 60, o country pop era um pouco diferente. Era musicalmente mais como, daqui de longe, a gente imaginava. Cheio de vozes se sobrepondo, um ritmo mais cadenciado e sentimentos mais escancarados. Kitty Wells se enquadra bem musicalmente nesse cenário, mas para além da música, Kitty se firmou como a rainha do country sendo influência para praticamente todas dessa lista fugindo cedo de papéis que davam para mulheres no mundo country. Kitty’s Choice traduz muito bem isso tudo, afinal ela não foge das canções amorosas, mas canta com muita propriedade e blues sobre traições, ciúme e solidão.

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Dottie West
The Sound of Country Music (Camden; 1967)

Com uma voz mais soberba, Dottie West ganha muito com um grupo mais tradicional a apoiando. Sua voz não é facilmente identificável como a de Dolly, Patsy ou Tammy, mas ao lado de Patsy e Loretta, ela foi uma das cantoras mais influentes da década, antes mesmo de começar a explorar o lado sexy da coisa toda no fim dos anos 70. The Sound of Country Music é isso mesmo, o suave e bonito som da música country em belas e singelas melodias.

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Norma Jean
Body and Mind (RCA Victor; 1968)

Norma Jean é a mulher mais caipira da lista, que trabalha com temas mais populares, de raízes mais comuns, mas não por isso ela é menos exuberante no seu canto e melodias. Body and Mind tem alguns dos hits mais fortes dessa lista, de refrões precisos, além dessa capa perfeita.

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Patsy Cline
Sentimentally Yours (MCA; 1962)

Poucos álbuns da década de 60 são tão bonitos quanto Sentimentally Yours. Patsy Cline domina em todas as doze faixas do álbum como se traduzisse toda a classe do Frank Sinatra para o country pop. A versão de “I Can’t Help It (If I’m Still In Love With You)”, originalmente de Hank Williams, mostra tanto a beleza da voz de Patsy e a versatilidade de seu grupo deixando as raízes country bem intactas, apesar de sutis.

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Connie Smith
Cute ‘n Country (RCA Victor; 1965)

Numa mistura de honky tonk, country, pop e baladas, Cute ‘n’ Country agrada principalmente pelos diversos climas do disco. O honky tonk dançante de “Two Empty Arms” e “Even Tho’”, logo de cara, escondem canções bem mais sérias e bonitas como “I’ll Be There (If You Need Me)”, “Love Is No Excuse” e o hit “I Can’t Remember”, para citar algumas. Connie Smith pode não ter se transformado numa grande estrela, mas Cute ‘n’ Country é um lindo passeio pelos vários meandros do country.

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Lynn Anderson
At Home With Lynn (Chart; 1969)

Sofisticado e já flertando com a psicodelia dos anos 70, At Home With Lynn, lançado em 1969, é o álbum que destoa da lista pela ousadia nas composições, pelo vocal tradicional, mas mais folk de Lynn Anderson e pela precisa banda de apoio. “Games People Play” mantém um pouco da ingenuidade dos anos 60, mas com o vocal soberbo de Lynn a canção ganha muito em charme para uma canção que poderia ficar sem sal na voz de outras. “Singing My Song” e “Rocky Top”, por outro lado, mostram o lado mais clássico de Lynn.

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Tammy Wynette
Stand by Your Man (Sony Music; 1968)

Tammy Wynette e o seu clássico Stand By Your Man é um dos discos que mostram como o country pop pode ser pleno em sua beleza mesmo extremamente sério do início ao fim, pois Tammy é a mulher madura da lista, de voz adulta, de melodias belíssimas e que foca os seus esforços em emocionar. Stand By Your Man é o disco para se mostrar para qualquer amante de música e esperar o “obrigado”.

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Jean Shepard
Got You On My Mind (Capitol; 1961)

Talvez a cantora mais consistente de toda a lista. Jean Shepard iniciou sua carreira no começo dos anos 50 e por mais de vinte anos focou sua carreira no country e honky tonk com bons, mas renegados álbuns. Got You On My Mind, por ser do comecinho dos anos 60, carrega muito da inocência dos anos 50 e da alegria dançante do honky tonk.

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Loretta Lynn
Don’t Come Home a Drinkin’ (With Lovin’ On Your Mind) (MCA Nashville; 1967)

Loretta não tem a voz mais marcante, nem o melhor penteado, não tem as melhores canções e nem as mais emocionantes, mas Loretta é Loretta. É uma das principais figuras do country pop feminino dos anos 60 e “Don’t Come Home a Drinkin’ (With Lovin’ On Your Mind)”, música e disco, são perfeitos para fechar essa lista, pois Loretta vem com a atitude que representa bem a mulher country que tem voz e a usa maravilhosamente bem.

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