Melancoluna XII: Silêncio Vol. 01

10.08.2015 — Blog

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Por algumas semanas eu vinha procurando as palavras certas para descrever essa Melancoluna, mas se o próprio tema é a falta de palavras, é o silêncio, como proceder?

Totalmente de surpresa, num breve momento de um outro dia, minha vizinha me mostrou um texto que explicava a amizade entre cães e homens, resumido drasticamente por aqui, com a seguinte frase: “Há na meiguice triste de seus olhos (dos cães) o desconsolo de quem conhece os limites das palavras mais a ternura dos sentimentos não nomeados. E é precisamente dessas duas experiências que são feitas as amizades”.

Na hora me lembrei do Fidel e percebi que realmente os seus olhos continham uma meiguice triste, mas na sequência me lembrei dessa mixtape que tinha feito e no minuto seguinte pensei em Jack Rose, Alan Bishop, John Fahey, John Renbourn e Ben Chasny dedilhando seus violões acompanhados por algum cão calado ao lado, grande ou pequeno, mas de preferência grande.

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Nem sempre essas narrativas são melancólicas. Com Alan Bishop e John Renbourn o negócio pode ficar meio esquisito e meio duro, respectivamente, mas em “Kensington Blues” Jack Rose traz tanta beleza para iniciar um dos álbuns mais lindos do folk e a calma zen de “Elk River”, do Six Organs of Admittance, contrastam bem com as demais e representam melhor ainda os olhares melancólicos dos cães imaginários. Já John Fahey é onipresente em qualquer mixtape sobre o silêncio.

Passado tudo isso, fiquei pensando em todos os sentimentos não nomeados que Fidel sente e pude arranhar a superfície de sua solidão quando não compreendi as suas estabanadas e seu rabo sangrando na parede de tanto que ele insistiu em bater na parede a sua ternura. Fidel, essa mixtape é para você.

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