Destroyer – Poison Season

18.08.2015 — Música, Resenhas

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Quando o Destroyer lançou Kaputt, em 2011, eu imaginava que Dan Bejar queria apenas um pouco do glamour de Bryan Ferry em suas canções. Mas a verdade, no fim das contas, era que ele não queria glamour nenhum. O inesperado sucesso do álbum fez com que Dan demonstrasse e afirmasse na época o quanto toda aquela atenção e resenhas positivas o incomodavam. O resultado é bem óbvio, de Kaputt para cá, Dan lançou, sob o nome Destroyer, apenas um EP com cinco músicas em espanhol, chamado Five Spanish Songs.

Por isso, não sabia muito bem o que esperar de Poison Season, mas a resposta e reação que Dan encontrou para seu novo disco foi de aprimorar o glamour pop do lançamento anterior. Apostando todas as suas fichas na produção do álbum, na orquestração, diversidade de estilos e, principalmente, na grandiosidade de cada faixa. Não é sem propósito imaginar que Dan Bejar está imitando Frank Sinatra ou dançando na Broadway num teatro sem público ou reinterpretando sozinho A Bela e a Fera em uma sala vazia.

As melodias e as estruturas das canções são bem próximas de tudo o que o Destroyer já lançou até hoje. Fica até difícil imaginar algo diferente a essa altura do campeonato, em seu décimo álbum, mas a cada faixa de Poison Season há uma surpresa na escolha da instrumentação. Em “Hell”, por exemplo, a sequência de cordas que se intercala com o trompete remete a inúmeras canções do Parenthetical Girls em um clima nostálgico e fantástico até a virada completa no minuto final, onde o grupo entra num crescendo cegamente otimista enquanto Dan canta calmamente: “It’s hell down here, it’s hell”.

“Dream Lover”, o primeiro single a sair, parece uma honesta homenagem a Bruce Springsteen de Tunnel of Love (1987). “The River”, que parece uma tranquila balada ao piano, tem um refrão de sopros marcante que dispensa qualquer palavra falada ou cantada. “Girl in a Sling” revela um Dan honesto a cada segundo como se estivesse bregamente cantando para a lua. “Archer on the Beach” é um jazz vocal denso de tanta fumaça de cigarro e “Bangkok” é outra linda balada ao piano capaz de abaixar completamente o nível de adrenalina no seu corpo com a vagarosidade e beleza do caminhar da canção. Cinco minutos sem bateria onde a faixa cresce, os sopros aparecem, mas a tranquilidade permanece para sempre.

Poison Season é um álbum espetacular, de elementos imediatos, riffs e baladas, repleto na percussão, mas vazio quando a tranquilidade desce. Um disco que se mostra muito mais complexo nas emoções que Kaputt ou talvez qualquer outro lançamento recente de Dan Bejar. Um disco para muitas ocasiões, todas elas boas.

8.5