Show: Iron & Wine – Cine Joia, São Paulo – 02/09/2015

04.09.2015 — Matérias, Música

Parece que virei uma jukebox de Iron & Wine”, disse algo parecido Sam Beam logo após tocar algumas canções no show que fez em São Paulo, na noite de quarta-feira, 2 de setembro, no Cine Joia. O motivo era bem simples, Sam, com dois violões e nada mais, anunciou logo que subiu ao palco que o pessoal podia pedir canções já que o clima seria totalmente intimista. E pedidos foi o que recebeu do início ao fim. E pedidos ele atendeu do início ao fim. Pedidos insistentes de canções de mais de dez anos atrás o surpreenderam. Pedidos que ele respondia com “Thank yous”. Não diria que agradeceu um a um, pois eram muitos os pedidos, dezenas a cada parada. Mas foram vários “obrigados” proferidos por Sam porque o sentimento que transbordava lá de cima do palco era realmente de agradecimento pelo público entusiasmado, pelo público que soube cantarolar mais a “Tree by the River” do que “Naked as We Came”. Sam Beam era um professor surpreendido e por isso o show não foi só de baixo para cima, mas de cima para baixo também e por isso ele tocou mais de vinte canções, errou acordes e esqueceu a letra em pelo menos duas ou três ocasiões, pois atendeu a pedidos reprimidos por mais de uma década, provavelmente. Tocou “Jezebel” e “Woman King”, do EP Woman King, tocou muitas canções dos álbuns mais recentes e menos aclamados, Kiss Each Other Clean e Ghost on Ghost, tocou a sua versão de “Such Great Heights”, do Postal Service, e de “Waitin’ for a Superman”, do Flaming Lips. Mas também tocou muitas de The Creek Drank the Cradle (2002), Our Endless Numbered Days (2004) e The Shepherd’s Dog (2007) porque a espera por um show do Iron & Wine por aqui foi longa e o público merecia uma grande retrospectiva. E a espera valeu a pena. Não necessariamente (ou apenas) porque o show tenha sido musicalmente impecável, apesar de ter sido em vários momentos, principalmente quando Sam reviveu clássicos de forma tão crua e intimista, como “Lion’s Mane”, “16, Maybe Less” ou “Fever Dream”, mas porque Sam transbordava genuína alegria e uma simpatia quase surreal. Sam estava inabalável, em estado de graça e curtia cada canção, cada escorregão que dava. O final foi especialmente emocionante com “Naked as We Came” e “Upward Over the Mountain” lindas como sempre e, atendendo a muitos pedidos, finalizando com a mais dura “House by the Sea”. Se arrependeu de não ter vindo antes e prometeu voltar, voltar até cansarmos. Podia voltar com banda completa também. As canções de The Shepherd’s Dog clamam pela banda, pela guitarra e pela batida e percussão. Porém, na noite de 2 de setembro, no Cine Joia, Sam e sua gratidão bastaram.