Chelsea Wolfe – Abyss (2015; Sargent House)

14.10.2015 — Música, Resenhas

chelsea-wolfe-abyssImagine acordar e não conseguir se mexer enquanto você começa a alucinar e imaginar que tem alguém invadindo o seu quarto. Foi baseada nessa condição da qual sofre há anos, aparentemente, chamada paralisia do sono, que Chelsea Wolfe produziu boa parte das canções de Abyss. O terror, a ansiedade e a vulnerabilidade que rodeiam esse fenômeno estão todos presentes neste que é o seu sexto lançamento. Uma tremenda retomada aos dias mais metaleiros de Chelsea, com ótima contribuição do guitarrista Mike Sullivan, do Russian Circles, sem que ela esquecesse os experimentos que fez com a música eletrônica no álbum anterior, Pain Is Beauty (resenha).

Abyss é uma viciante viagem por terras tenebrosas que inicia com um trio da pesada. “Carrion Flowers”, numa mistura incrível de guitarras distorcidas, eletrônica aterrorizante e sussurros do meio da floresta; “Iron Moon”, em eterno contrase entre o vocal sussurrado e solitário de Chelsea com o peso do grupo entrando no refrão; e “Dragged Out”, mais melódica entre gritos e sussurros em loop. Depois de mais de quinze minutos fortes e pesados de uma paralisia aterrorizante, “Maw” aparece logo na sequência como uma pequena redenção, ou simplesmente uma resignação, como se a Grouper tivesse passado a maquiagem necessária para conduzir esses seis minutos.

Apesar de outros bons momentos após, como o violino e a bateria guiando “Grey Days”, ou “Crazy Love” sendo levada por um raro violão, ou então a mais eletrônica “Simple Death”, nada de Abyss supera as primeiras quatro faixas do álbum, canções que expandem as fronteiras de Chelsea nessa mistura de elementos folk, eletrônicos e góticos com o metal nórdico. Essa parte mostra que Chelsea Wolfe é uma artista de voz única e independentemente de seu estado ou experimentos que esteja fazendo, ela não hesita. Por isso cativa e hipnotiza dessa maneira.

7.6