Tindersticks – The Waiting Room

28.01.2016 — Música, Resenhas

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Os filmes do Tindersticks se passam todos à noite. Isso significa dizer que por quase 25 anos Stuart Staples e turma têm andado, pensado e festejado sob a forte luz do luar ou sob luz alguma. Claro que lampejos de uma manhã de domingo após uma madrugada inteira de ruminações e reflexões aparecem aqui e ali, afinal são mais de duas décadas de carreira no escuro, mas o que dita cada um dos discos lançados pelo Tindersticks é a absoluta falta de pressa ou interesse em ver o sol nascer.

Em The Waiting Room, apesar de um lampejo de liberdade musical em “Second Chance Man” e da banda aparecer forte e concisa no single “Were We Once Lovers?”, o vazio, o andar vagaroso e os acordes melancólicos são as características que, mais uma vez, predominam no álbum. O grupo já viveu e reviveu a noite, essa noite, de forma até mais ousada por um bom período no começo dos anos 90. Experimentou mais e conseguiu destacar algumas lindas canções dentre as inúmeras contidas em seus álbuns, mas em seus lançamentos mais recentes e com as rugas e olheiras se destacando na meia luz, cada membro do Tindesrticks tem conseguido transparecer uma calma impressionante, que chega até a perturbar nesse novo disco.

Os dois duetos de Waiting Room, “Hey Lucinda” e “We Are Dreamers!”, são poderosos e pouco óbvios na mistura de vozes, o começo com as duas canções mais marcantes do álbum traz o chamber pop de sempre com um grupo totalmente confiante, as canções instrumentais puxam muito do melhor que o grupo já fez em suas trilhas sonoras e a solidão de “How He Entered” e a beleza final de “Like Only Lovers Can” são de fazer adorar a escuridão total que Stuart nos deixa com seus sussurros e lamúrias. Perturbador pela tranquilidade que se caminha pela noite e pela confiança de que tudo está em seu lugar apesar de não termos certeza alguma sobre o dia de amanhã.

8.0

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