Field Music – Commontime (2016; Memphis Industries)

15.02.2016 — Música, Resenhas

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O verdadeiro acerto de Commontime, quinto disco do Field Music, é conseguir encaixar a instrumentação certa em cada uma das quatorze faixas do álbum. Sem excessos e sem falta. Na abertura mais funk de “The Noisy Days Are Over” o baixo e a bateria dominam a faixa e as aparições da guitarra apenas pontuam e acentuam as quebras. Na mais pop “Disappointed”, pelo contrário, são o teclado e a guitarra que entram no meio e deixam a canção com um ar de Hall & Oates, sem contar as sobreposições vocais perfeitas dos irmãos Peter e David Brewis. “I’m Glad” com o seu clima The Knack pede por guitarras quebradas anos 80 guiando a canção enquanto o baixo volta a ser o protagonista no lindo funk pop de “Don’t You Want To Know What’s Wrong?”.

Uma verdadeira exposição de como o Field Music tem esse espírito minimalista e preciso que só consigo ver no Spoon se for para falarmos de bandas pop contemporâneas. Tudo está em seu devido lugar, com uma gravação impecável e um raro bom gosto para timbres. Mas se falta aos britânicos do Field a empatia que Britt Daniel exala em seu canto rouco, eles compensam com um vasto conhecimento musical, o segundo acerto desse novo lançamento.

Os irmãos Brewis vão do funk e pop já citados em canções com refrões pegajosos para músicas mais complexas como “Trouble at the Lights”, em clima Genesis, como “They Want You To Remember” e “The Morning Is Waiting For You” com lindas orquestrações que transformam as faixas em odes ao Lambchop, como “Indeed It Is” e o seu post-punk à XTC, ou como no início bossa nova de “That’s Close Enough For Now”. Sério, são muitas as influências e tudo isso apimentado com a classe e precisão pop que talvez só o Steely Dan e Todd Rundgren demonstraram em seus auges.

Por mais que Commontime por vezes soe longo demais em sua quase uma hora de duração, o disco é uma das maiores demonstrações de conhecimento de música pop com pelo menos meia dúzia de hits capazes de conquistar Prince e sua geração e qualquer pessoa dessa geração (seja lá que geração for essa) que estiver aberta o suficiente para deixar os irmãos Brewis aquecer seus pés e mentes sem preconceitos. Afinal, eles já estão tentando por uma década e Commontime realmente pode ser esse divisor de águas.

8.2

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