Bianca Casady & the C.I.A. – Oscar Hocks (2016; Atlas Chair)

02.03.2016 — Música, Resenhas

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É possível listar uma série de motivos que fazem de Oscar Hocks, estreia de Bianca Casady (CocoRosie) em carreira solo, um disco para ouvir várias vezes. O primeiro e principal deles é que esse álbum é estranho porque Bianca Casady é estranha; sua voz, por vezes, parece vir de uma mulher imitando uma criança e por outras de uma mulher fatigada do tanto que já viu e experimentou nesse mundo. O segundo é que o seu grupo, o C.I.A., esvazia ao máximo as canções para deixar Bianca acompanhada apenas por um piano simplista, um órgão solitário, um violão torto, eventuais metais, alguns barulhos, uma percussão primitiva ou sozinha com os seus pensamentos. O terceiro que listaria é o fato das canções do álbum serem igualmente sombrias e bonitas sem que elas tenham uma melodia bem estabelecida, um refrão marcante ou até mesmo uma estrutura sólida. As canções são aparentemente frágeis, mas Bianca Casady segura o todo com sua habilidade de cativar com elementos inesperados, como o silêncio, a loucura, a simplicidade infantil e o clima sombrio.

Um disco que tinha tudo para dar errado, mas que funciona surpreendentemente bem. Por isso você não deveria medir o seu sucesso pelo volume de comentários que ele gerou ou gerará ou então pelas poucas resenhas e notas que saíram por aí. Meça o seu sucesso pelo tanto que Bianca Casady conseguiu extrair de tão poucos elementos, de um ideal musical que poucos ousam fazer. Sim, é claro que “Daisy Chain”, “Roadkill”, “Oscar Hocks” e “Tumbleweed” acabam se destacando dentre as 12 faixas do disco, mas o conjunto, a maneira que Bianca conduz cada canção e a sensação de ter perdido algo quando o disco acaba mostra como Oscar Hocks é instigante e intrigante o suficiente para merecer a sua atenção.

7.3