Josephine Foster – No More Lamps In The Morning (Light in the Attic; 2016)

24.03.2016 — Música, Resenhas

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Ninguém é capaz de me jogar para fora do meu mundo como Josephine Foster.

Ao longo dos seus mais de dez anos de carreira e cerca de dez discos lançados, são poucas as vezes que encontrei conforto em suas canções, tranquilidade ou sossego para a alma. Little Life, de 2008, talvez seja o seu disco mais pop, mais de acordo com o folk feito na época, um tanto estranho, lo-fi e melódico em doses bem parecidas, mas a partir do momento que Josephine entra para a Fire Records, com Graphic as a Star, não existe um álbum seu que não me deixe inquieto.

Seu novo disco, No More Lamps In The Morning, apesar de ser composto por regravações de canções da própria cantora, traz novamente uma estranha versão de Josephine. Ela vem acompanhada pelo seu marido, Victor Herrero, tocando uma guitarra portuguesa e Gyða Valtýsdóttir, no cello, enquanto dedilha o seu violão e canta com o seu soprano da idade média, a sua ópera do mato. Nada mais.

Absolutamente nada no disco me deixa totalmente em paz, pois Josephine Foster é capaz de tudo. Mas isso não impede que eu sempre recorra à sua música quando pareço estar deitado num vasto campo no meio da noite com vontade zero de fechar os olhos, com medo de perder alguma coisa importante. Pois por mais estranho que seja esse animal, taciturno, de movimentos leves, mas vagarosos, arisco e de difícil contato, ele nada tem de aterrorizante. Apenas uma bela e distante companhia. Quieta e inquietante.

No More Lamps In The Morning apenas existe e é bom saber disso.

7.0