Matt Elliott – The Calm Before (2016; Ici D’ailleurs)

08.04.2016 — Música, Resenhas

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Matt Elliott é o inglês que vem de longe, entre tavernas e poesias e por um acaso com um violão nas mãos. Ele caminha sórdido e sombrio pelas ruas estreitas de uma Londres antiga e escura. Por algum outro acaso da vida a sua voz é grave e ele canta. E ele bebe e ele anda, mas, principalmente, Matt escreve.

Em The Calm Before, seu sétimo álbum sob seu próprio nome, ele mistura e dosa novamente as suas poesias com o seu folk grave. Porém, musicalmente existe uma simplicidade e um clima positivo que pouco se ouviu em seus outros lançamentos. Na faixa-título, o dedilhado que acompanha a melodia vocal é para cima e apesar do anúncio da tormenta em vista, a conclusão é leve.

There must be a storm
Don’t we need it
Just to clear it
To blow the ashes away
Away, to a place where they can never be found or thought of again

Claro que após a tempestade inicial, bonita e forte, não vem a calmaria como Matt até chega a sugerir ao longo da faixa na tentativa de nos enganar. As 3 faixas que compõe o miolo do álbum são muito mais densas. Em “The Feast of St. Stephen” quase não é possível entender as palavras de tão grave que Matt as canta. Os quase 10 minutos de “I Only Wanted to Give You Everything” prolonga uma canção triste em cima de uma melodia meio espanhola ao violão com as seguintes palavras: “But you don’t love me…“. E “Wings & Crown” vem numa mistura de jazz com cantos bêbados em um bar vazio.

Do jeito que Matt iniciou o álbum, porém, ele termina, com o seu dedilhado bonito e pacífico. Ao longo dos oito minutos e meio de “The Allegory of the Cave”, Matt Elliott não sugere nenhuma calmaria dessa vez. Ele deixa a melodia e o vazio da canção falarem por si, afinal estamos sozinhos olhando nossas próprias sombras (“Eternity in the dark is such a long time“). As angústias da escuridão, do vazio e da vida são o foco de cada corda puxada e de cada pausa. Por mais que ele continue mantendo a pose mesmo no meio de sua tormenta pessoal, as suas palavras não indicam outra coisa a não ser uma enorme angústia.

Repeat the same painful mistakes or
Slowly rot into the soil
Oh darkness please whisper my name
Whisper the rules of this here game

E do que é feito o ser humano a não ser de uma eterna angústia entuchada entre “ossos, sangue e células cerebrais”?

7.9

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