Wolf Parade – EP 4

07.06.2016 — Música, Resenhas

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As forças de Dan Boeckner e Spencer Krug são muito distintas e nada revela isso de forma tão clara quanto os seus projetos pós Wolf Parade, ou entre os seis anos que separam Expo 86 e esse EP 4. No seu Handsome Furs, Operators ou Divine Fits, Dan bate o pé no chão, dança e se exorciza, enquanto Spencer flutua, se concentra nas suas teclas e filosofa com, principalmente, o seu Moonface. Juntos, ou como Wolf Parade, eles se unem por certa incapacidade de lidar com o mundo fazendo música pop e imediata para os sem rumo.

E imediato é o EP 4. Doze minutos, quatro músicas, duas de cada um, e aquela sensação ao fim de que o negócio acabou rápido demais, tanto as músicas quanto o EP. Sem viagem promovida pelo synth de Spencer, sem muitas mudanças de ritmo na mesma canção, sem o clima mais prog do perfeito At Mount Zoomer, tudo simples e direto, como se o grupo estivesse reaquecendo os motores.

“Automatic” e “Floating World” são canções onde Dan canta a sua falta de pertencimento (“I sing from a nowhere room / I call out for some connection”) e a sua fuga desse mundo ou busca por mundos alternativos, ambas presentes desde Apologies to the Queen Mary (“I don’t live here, I’m an occupant / I reside in the floating world”). Já “Mr. Startup” e “C’est La Vie Way” trazem a visão mais poética de Spencer (“Blessed be the ones who let their blessings go”) e a pouca obviedade de seus versos e notas (“The ceremony was alright / But like most ceremonies / It lacked a gravity that I / Would have liked”).

Essas quatro canções mostram do que é feito o coração do Wolf Parade. Musicalmente falando, por canções simples e diretas, refrões perfeitos e o equilíbrio entre guitarras e teclados. Liricamente, por essa eterna sensação de deslocamento. E, sentimentalmente, por essa mistura de empolgação e desespero, euforia e sensação de claustrofobia, que se conversam a cada canção. Uma breve e bela volta que bate forte por aqui não só por nostalgia, mas por saber que eles continuam dominando esse território como faziam há dez anos.

7.4

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