Lydia Loveless – Real (Bloodshot; 2016)

15.09.2016 — Música, Resenhas

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Aquilo. Aquilo que sinto que falta na música de Taylor Swift, das HAIM ou até mesmo de Kacey Musgraves, eu sinto flutuar naturalmente em Lydia Loveless. Não falo da dose de realidade que o próprio nome de seu quarto disco revela, pois não gosto muito das coisas assim tão às claras mesmo quando estamos falando de música pop; falo do espírito, da certa dose de ingenuidade e sinceridade que leva uma pessoa a achar que ainda tem a dizer com um violão em mãos e um punhado de bons refrões.

Real mostra como Lydia tem, sim, a dizer e como essa arte (do country pop, do country rock, do trovador angustiado) não envelhece quando a voz não é só potente ou boa, ou uma representação, mas uma passagem para sua individualidade. Assim como Neko Case antes de Lydia, ou Lucinda Williams antes de Neko, ou Stevie Nicks antes de Lucinda ou Loretta Lynn antes de Stevie, Lydia Loveless e sua banda encarnam o country e o transformam em música sem maquiagem e de muita alma e para mim isso basta.

Basta, mas individualmente algumas faixas merecem palavras a mais. “Same To You” é aquele hit introdutório baseado na guitarra e “Longer” uma homenagem a um amigo de Lydia que morreu de overdose em uma faixa simples guiada por power chords, ambas perfeitas para chamar a atenção para quem está tendo o primeiro contato com sua arte.

Mas é no miolo do álbum onde encontramos algumas das maiores razões de Real ser tão impactante. Em “More Than Ever” Lydia mostra toda a amplitude e potência de sua voz e em “Heaven” ela começa a mostrar a facilidade que tem em criar belos refrões sem a maquiagem de frases feitas (“I thought it would be okay / But everything just happens / Everything is an accident, man / No one goes to heaven”). “Midwestern Guys” e o jeito de Lydia confrontar e lutar (“You want to lock me in the kennel and leave for Myrtle Beach”) e a vulnerabilidade de “Bilbao” (“You take a walk, I’d rather be lonely than ashamed”), principalmente, mostram que esse é um álbum a se escutar de peito aberto. Real traz “aquilo”, mais ainda que seu lançamento anterior, Somewhere Else, justamente pelo peito aberto com o qual Lydia Loveless encara cada verso e refrão. Sem grandes rancores, sofrimento, pensamentos demasiados ou encenação; do modo mais simples possível: sentindo essa vida desgraçada.

7.8