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SEX 18/09/2009
Show: Beirut - São Paulo, 11/09/09 Via Funchal



Eu estava ansioso pelo show do Beirut. Não estava salivando como muitos (muitas meninas, principalmente), mas estava esperando algo bastante bom. Estava esperançoso. Então, por quê diabos o show foi tão ruim? Eu digo os meus motivos.

A começar pelo Via Funchal, que não respeita nada e nem ninguém, nunca respeitou. No lugar das centenas de mesas e cadeiras que eles espalharam pela pista simplesmente para cobrarem mais pelos ingressos (pois essa é a única razão que consigo ver para um show sentado se o mesmo não for do Burt Bacharach ou do Roberto Carlos), eles poderiam vender no mínimo uns 2000 ingressos a mais. Lotaria? Tenho certeza que sim, Capitu. Mas, não, eles preferiram entupir o lugar de mesas e jogarem uns garçons para servirem qualquer coisa a preços abusivos.

Não vi uma vivalma sentada. A grande maioria assistiu ao show do começo ao fim de pé ao lado dos seus assentos, se os mesmos eram bem posicionados, ou simplesmente foram para o corredor e conseguiram um lugar melhor, mais à frente. Até me surpreendi com o fato de os defensores (e detentores) das propriedades mais caras não xingarem a ralé que dançava e cobria suas visões privilegiadas. Também não sei se isso aconteceu ao certo. Fiz parte da ralé que se conteve atrás. Enfim, fracasso número um.

Fracasso número dois: que som era aquele que saía das caixas de som? Não consegui distinguir mais de duas palavras do inglês cantado e na tentativa do português falado de Zach Condon, o Beirut. Não entendi nada. Virei para o Six e comentei “parece que ele realmente está cantando em árabe ou coisa parecida”. Six presta atenção por um minuto e responde: “Realmente, parece que é o Khaled cantando”. Exageros à parte, sim, o som do Via Funchal é um grande bolo. Os trompetes ficavam melhores fora dos microfones, o Beirut estava parecendo o Khaled e os volumes me soaram muito desregulados.

Porém, o Via Funchal não pode ser o único responsável pelo insucesso do show. Não foi. O próprio Beirut foi decepcionante em alguns momentos. Ou a tentativa da banda de soar grandiosa só pareceu vazia para mim? Exagerando um pouco, novamente, alguns momentos foram tão gratuitos como o exoterismo cigano promovido pelo Gogol Bordello. Mas o que me deixou realmente para baixo foi durante o bis, quando Beirut, envolto em uma bandeira brasileira, fez sua desnecessária versão de “Aquarela do Brasil”, do Ary Barroso. Momentaneamente, me senti transportado para um final de festa de casamento ou de formatura. Porque ser exótico por esporte e homenagear para conquistar o público são duas coisas que não descem para mim. São fracassos imperdoáveis.

Mas, ainda assim, não culpo o Beirut. O que aconteceu em seu show (no Via Funchal, vamos deixar bem claro) é que ele não conseguiu transmitir o que seus discos fazem com tanta competência. Eles precisavam de outro ambiente. Uma massa mais unida o ajudaria, tenho certeza que ele próprio concordaria comigo. Ele até pediu que o público subisse ao palco, obviamente em vão. Além disso, o som precisaria estar minimamente audível, diferenciável. E um terceiro fator, de extrema importância para mim, é que eles precisam de intimidade. Seus discos são tranquilos e intimistas, apesar dos muitos instrumentos vez e outra; ele consegue ser grandioso numa festa para um punhado de gente, lado a lado com as pessoas, ou ao ar livre (vide seus vídeos para o Blogotheque e até mesmo o Beirutando). A intimidade do som do Beirut é um dos grandes motivos de seu sucesso e ela deveria transparecer de alguma forma, não aconteceu, apesar de todo o esforço do grupo em animar e se animar. A orquestra que se diverte não serve para o palco do Via Funchal. Culpo, sim, os responsáveis pela organização à casa de shows, mas eles não ligam realmente para esse tipo de coisa. Então fico aqui choramingando o Beirut que ficou parecendo uma coxinha fria de dez reais.

- Denis Fujito

 

 

 

 

 

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